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Gazeta Mercantil

CNPq vai liberar verba para genoma

Publicado em 09 novembro 2000

Por Laura Knapp - de São Paulo
Pela primeira vez, o governo federal está abrindo uma linha de apoio financeiro dedicada exclusivamente à pesquisa do genoma. Cerca de R$ 8 milhões serão repassados este ano pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) a laboratórios e pesquisadores de todo o Brasil. 'Temos ilhas de competência em genoma e agora queremos espelhar isso para o resto do País", diz Kumiko Mizuta, coordenadora geral de programas de agropecuária e biotecnologia do CNPq. O objetivo é formar uma Rede Nacional do Programa Genoma Brasileiro, a exemplo do que fez, com enorme sucesso, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Neste primeiro ano, no entanto, os pesquisadores vão trabalhar de forma independente, não conectados a uma rede. Serão escolhidos 25 laboratórios de seqüenciamento de DNA, além de um laboratório central de bioinformática, um coordenador geral, bolsistas e um laboratório que multiplicará o microorganismo a ser distribuído para os outros laboratórios. O genoma a ser escolhido não pode ter mais de quatro milhões de pares de bases, e seu conhecimento "deve trazer benefícios socioeconômicos para o País", reza o edital. Por exemplo, um que cause diarréia ou praga no algodão. Cada centro de pesquisa terá de apresentar a seqüência completa do DNA. À primeira vista, parece uma incongruência ter pesquisadores fazendo 25 vezes exatamente a mesma coisa. Mas este primeiro ano será como um treino para os laboratórios e fornecerá ao CNPq um mapa das competências e fragilidades da pesquisa nacional. É a primeira ação do governo federal dentro da biotecnologia, lembra Kumiko, e um dos objetivos está sendo equipar o maior número possível de laboratórios. O projeto faz parte do Plano Plurianual (PPA) estabelecido pelo governo. "Estamos recebendo elogios porque é umdesafio que está sendo colocado para a comunidade acadêmica", afirma a coordenadora. Para o ano que vem, o orçamento do CNPq para a biotecnologia, que inclui outros tipos de pesquisa além do genoma, deve chegar a R$ 30 milhões.