Notícia

Gazeta Mercantil

CNPq libera R$ 2,4 mi para estudo mundial

Publicado em 12 outubro 1999

Por Virgínia Silveira São José dos Campos
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) aprovou uma verba de R$ 2,4 milhões paia o programa de treinamento de jovens cientistas no âmbito do projeto internacional LBA (Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia). Sob a liderança do Brasil, mais de 200 cientistas participam das pesquisas do LBA, que começou a ser colocado em prática no final de 98. A proposta do programa é tentar entender como a Amazônia funciona em termos climatológicos, ecológicos, biogeoquímicos e hidrológicos e a sua influência no clima global. Além disso, procura entender como as mudanças dos usos da terra (desmatamento e queimadas) e do clima (efeito estufa) na região afetam esse funcionamento e quais as implicações destas mudanças para a sustentabilidade biológica, química e física da Amazônia. Os recursos liberados pelo CNPq, segundo o coordenador geral do LBA, Carlos Afonso Nobre, financiarão 100 bolsas de treinamento para estudantes, professores e pesquisadores ligados a instituições de pesquisa e ensino na Amazônia, num prazo de três anos. Os bolsistas selecionados pelo Comitê de Treinamento e Educação do LBA começarão o treinamento no mês de novembro. A fase de pesquisas de campo do LBA foi iniciada no final do ano passado em Rondônia. Os cientistas estão agora selecionando 15 regiões na Amazônia, onde serão realizadas medidas contínuas de vários parâmetros do sob, vegetação e atmosfera, por um período de cinco anos. Doze áreas já foram selecionadas, sendo três em Rondônia, três em Santarém, duas ao redor de Manaus. duas em Brasília, uma ao norte de Mato Grosso e outra a noroeste de Belém, numa área de floresta chamada Caxiunã, próxima a Ilha de Marajó. Mais três áreas serão escolhidas até o fim deste ano. O objetivo dessas pesquisas contínuas é entender de que forma se processa a interação da vegetação com a atmosfera e saber a influência disso nas mudanças climáticas. A rede de experimentos do LBA, segundo Nobre, está distribuída ao longo de duas seções principais, que atravessam regiões com diferentes tipos de vegetação, clima e estágios de exploração pelo homem. A primeira transseção abrange o noroeste da Amazônia, passa por Manaus, Santarém e termina na região do Cerrado, em tomo de Brasília. As áreas de pesquisa contínua também incluem o Oeste da Amazônia, próximo ao Peru, segue por Rondônia até o norte de Mato Grosso. Ambas as seções mentem florestas nativas e regiões de baixa e intensa ocupação. O LBA tem previsão de gastos da ordem de US$ 80 milhões, sendo que US$ 10 milhões já foram aplicados na realização de duas grandes campanhas intensivas de pesquisa sobre meteorologia e química da atmosfera. A primeira delas aconteceu entre janeiro e março deste ano, na região de Ji-Paraná em Rondônia, da qual participaram 200 pesquisadores. A Segunda ainda está em fase de execução em Santarém. Até 2003 ainda teremos mais quatro campanhas desse tipo na Amazônia, comenta o pesquisador. Para as pesquisas de campo são usados equipamentos instalados no solo e no alto de torres instrumentadas, instaladas 15 metros acima da copa das árvores. Pesquisas de maior abrangência como suporte de aviões laboratórios, balões, sondas e satélites. A proposta do programa é tentar entender como funciona a Amazônia e qual sua Influencia no clima global