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CNPq escolhe Centro da Unesp para ser Instituto Nacional

Publicado em 16 fevereiro 2009

O Centro Multidisciplinar de Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos, do qual faz parte o Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica, do Instituto de Química (IQ), câmpus de Araraquara, foi escolhido pelo CNPq para ser um dos novos INCTs (Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia).

No dia 4 de fevereiro foram anunciados 22 novos projetos de INCTs, aprovados dentre 56 propostas submetidas ao CNPq. Agora eles chegam a 123 em todo o Brasil. O objetivo dos institutos é integrar melhor os centros de excelência em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do país com os demais centros, ainda em desenvolvimento, que pesquisam o mesmo assunto.

O recém-criado Instituto Nacional de Ciência dos Materiais em Nanotecnologia, por exemplo, garantirá os recursos para que o centro multidisciplinar (CMDMC) estreite suas parcerias com grupos de pesquisa em institutos em Brasília, Goiás, Maranhão, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro.

“Os novos recursos permitirão que as atividades do laboratório sejam estendidas do nível estadual para o nacional”, explica o químico teórico Élson Longo, docente do Instituto de Química e diretor do CMDMC.

O centro existe desde 2001 como um dos 11 Cepids (Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão), financiados pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para que desenvolvam pesquisas de ponta que possam encontrar parcerias com empresas de tecnologia.

Além do Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica (Liec), da Unesp, grupos de pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) compõem o CMDMC.

Os materiais cerâmicos que os pesquisadores do centro estudam vão muito além do que se conhece popularmente como cerâmica. A classe dos chamados materiais cerâmicos inclui todos os materiais inorgânicos que não são metálicos. Os pesquisadores alteram a estrutura dos materiais nanometricamente (um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro) e assim conseguem modificar suas propriedades de dureza, de resistência a diferentes produtos químicos, de condução de eletricidade, de temperatura e de luz, entre outras.

Além de cerâmicas para o uso tradicional em piso e azulejos, o CDMC cria materiais desenvolvidos especialmente para várias aplicações industriais, como células de painéis solares, fios supercondutores de eletricidade, equipamentos de ultra-som e sensores infravermelhos.

Agora sendo um INCT, o CMDMC vai expandir para todo o país suas três frentes principais de trabalho. “A primeira frente é o reforço da pós-graduação em nanotecnologia”, afirma Longo. Ele espera trazer mais alunos de outros estados para estagiarem nos laboratórios do CMDMC.

A segunda frente será ajudar pesquisadores vindos de outras regiões a analisarem suas amostras de materiais. “A pesquisa é feita em função dos equipamentos que o pesquisador tem”, diz. “Há estados que (pela falta de equipamento) não têm condições de fazer pesquisa de ponta que possa ser publicada em revistas de alto impacto”, complementa.

Longo ressalta, porém, que os pesquisadores não se locomoverão até os laboratórios apenas para usar o equipamento, mas também para aprender no convívio com os colegas a planejar e executar novos experimentos.

A terceira frente serão as viagens. “Nossos pesquisadores terão maior mobilidade para viajar pelo Brasil, e a interação do nosso centro com o resto do país acontecerá de forma mais efetiva”, diz.

O CMDMC continuará também a investir em atividades de divulgação científica, que incluem uma série de vídeos com imagens nanométricas surpreendentes de materiais e com entrevistas com os pesquisadores, disponíveis no site oficial do centro e em um canal no portal de vídeos Youtube.

O químico diz que espera ainda ampliar a interação do centro com a indústria. “Nos últimos 16 anos aprendemos muito em nossa parceria com a Companhia Siderúrgica Nacional sobre como realizar projetos junto com a indústria”, conta. Entre 2000 e 2008, o CMDMC colaborou com 17 empresas, produzindo 22 patentes.

Um projeto que deve ganhar novo fôlego com os recursos do INCT, segundo ele, é a aproximação entre grupos empresariais da região de Castellón de La Plana, na Espanha – a maior região do setor de cerâmica da Europa – com o pólo produtor do Rio Grande do Norte e da Paraíba. “Essa parceria pode abrir portas para a exportação da produção nacional de cerâmica para os EUA e o Caribe”, diz.

Além de cerâmica eletrônica, o grupo participa ativamente no desenvolvimento de refratários e revestimentos cerâmicos, o CMDMC cria materiais desenvolvidos especialmente para várias aplicações industriais, como células de painéis solares, memórias ferroelétricas e sensores.