Notícia

JC e-mail

CNPq e Fapesp financiam Internet acadêmica: Pesquisadores terão cerca de R$ 30 milhões para estudar rede de alta velocidade

Publicado em 05 novembro 2001

Laura Knapp - escreve para "O Estado de SP": A Internet 2, ou rede avançada de alta velocidade, deve ser a nova vedete de estudos patrocinados por fundos governamentais. O CNPq lançou edital para financiar pesquisas de desenvolvimento de novas tecnologias sobre a rede, no valor total de R$ 3 milhões, alem de R$ 3,5 milhões para estimular a produção de conteúdo em língua portuguesa para a rede comum. A Fundação de Amparo à Pesquisa de SP (Fapesp) tem pronta outra chamada. Com investimento de US$ 10 milhões, distribuídos ao longo de dois anos, pretende desenvolver tecnologia de ponta tanto em equipamentos quanto em aplicações. Quatorze cidades brasileiras contam com redes de Internet 2, que conecta instituições de pesquisa no meio acadêmico. O CNPq quer estimular estudos em três áreas: avanço do conhecimento sobre a rede propriamente dita; desenvolvimento da engenharia interna, com pesquisas sobre qualidade de transmissão, serviços, protocolos e sistemas de operação; e desenvolvimento de prototipagem de aplicação. "Nosso objetivo é fundamentalmente produzir aplicações em rede de alta velocidade e de longa distancia", afirma Celso Deusdeti Costa, coordenador de Apoio à Infra-Estrutura do Programa Sociedade da Informação do CNPq. "Antes, o enfoque não era na aplicação, mas na montagem da infra-estrutura." Em principio, o financiamento do CNPq não prevê investimentos na estrutura de rede, só em aplicativos. "O parceiro empresarial interessado deve disponibilizar o meio físico", diz Costa. Mas exceções serão abertas, estudadas caso a caso. Assim, um projeto poderá ultrapassar o limite dos financiamentos, de R$ 250 mil a R$ 500 mil. Para obter os recursos, os pesquisadores precisarão formar consórcios compostos por no mínimo três grupos de estudo e uma empresa. "O pesquisador deve fazer a proposta já visando ao interesse empresarial." Parceria com empresas também é uma das metas da Fapesp. O grande atrativo, no caso, são os recursos que essas empresas podem conseguir por meio da Lei de Informática, ampliando os investimentos no projeto. Ao estimular essas parcerias, a fundação espera também atrair empresas de alta tecnologia para o Estado de SP. "Os recursos humanos atualmente disponíveis estão muito aquém do que seria necessário para responder ao desafio de dominar essa tecnologia", segundo a carta de intenções da Fapesp. "Uma bem-sucedida ação criaria condições diferenciadas para tomar o Estado de SP ainda mais atrativo como pólo de alta tecnologia." O programa da Fapesp, batizado de Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada (Tidia), quer atacar varias frentes. As aplicações avançadas, como telemedicina, educação à distancia e controle de instrumentos via Internet. Desenvolvimento de equipamentos e técnicas, alem de analise da arquitetura e segurança. E pesquisa básica, como os efeitos físicos que podem limitar a capacidade de transmissão da informação. Os pesquisadores da Fapesp poderão utilizar uma rede experimental, ou testbed, que pode chegar 'a velocidade de 400 gigabites por segundo (Gbps). Atualmente, as redes de Internet 2 no país alcançam 155 Mbps. Nas conexões normais, a informação viaja a 56 Kbps. Ou, no máximo, a 2 Mbps. A rede da Fapesp será 2 mil vezes mais veloz. "É um projeto ambicioso", diz o director científico da Fapesp, José Fernando Perez. Elaborada pela Unicamp, Fundação CPqD e Ericsson, será' mais rápida que as de outros paises. Nos EUA, a velocidade da Abilene, feita pela Cisco, Nortel, Qwest e a Universidade de Indiana é de 2,5 Gbps. A mais rápida, a Canarie, sociedade entre Bell Canada, JDS Uniphase e o governo canadense, chega a 320 Gbps. Projetos não mencionam colaboração Ao contrario do que pode parecer, Fapesp e CNPq não andam de mãos dadas na iniciativa para estimular o desenvolvimento das redes de alta velocidade no país. Os projetos apresentados pelas instituições não prevêem colaboração mutua. No primeiro semestre deste ano, a Fapesp tentava articulação junto ao MCT, ao qual se subordina o CNPq, a fim de expandir a proposta a nível federal, segundo José Fernando Perez, diretor científico da fundação. Celso Deusdeti Costa, coordenador do projeto no CNPq, não desmente a informação, mas diz que jamais tomou conhecimento da articulação. "É bem provável que ela tenha ocorrido, mas não foi comigo que falaram", afirma. Para ele, o edital da Fapesp, ainda não publicado, "é louvável no sentido de capilarizar a rede no Estado de SP". Independentemente dos bastidores, a frente de ataque segue o bem-sucedido modelo adotado pela Fapesp para estimular a pesquisa genomica no Brasil - que depois foi seguido pelo CNPq. Em vez de esperar por propostas dos cientistas, a fundação "induziu" o tema a ser estudado, criando uma rede de cientistas e atraindo atenção para o tema. Em genomica, o Brasil caminha lado a lado com paises avançados.