Notícia

Gazeta Mercantil

CNI premia trabalho desenvolvido pela Embraer e o CTA

Publicado em 26 outubro 2005

Por Virgínia Silveira, de São José dos Campos (SP)

A Embraer e o Centro Técnico Aeroespacial (CTA) receberam ontem o Prêmio CNI, da Confederação Nacional das Indústrias, na categoria Redes de Pesquisa-Empresa, pelo desenvolvimento do projeto Dinâmicas dos Fluidos Computacionais (CFD). O projeto conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado e São Paulo (Fapesp) e tem aplicação nas áreas de cálculo aerodinâmico de veículos lançadores, aeronaves e sistemas de propulsão.
Segundo o coordenador do projeto no CTA, João Luiz Filgueira de Azevedo, o desenvolvimento do sistema CFD, iniciado em outubro de 2002, deverá consumir um investimento entre R$ 8,5 milhões e R$ 10 milhões até abril do próximo ano, prazo previsto para a sua conclusão. Cerca de 50% dos recursos serão financiados pela Embraer e o restante pela Fapesp.
O prêmio CNI tem como objetivo reconhecer e estimular o esforço das empresas que buscam produzir de forma eficiente e sustentada, contribuindo para aumentar a competitividade do país. Além do CTA, o projeto CFD também conta com a parceria do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), da USP de São Carlos, Escola Politécnica, Unicamp, Universidade Federal de Uberlândia e de Santa Catarina e de quatro empresas brasileiras de desenvolvimento de software.
A captação de formação de mão de obra especializada, segundo a CNI, é um dos pontos fortes do projeto e vem sendo viabilizada por meio da criação e da manutenção de uma rede de pesquisa nacional voltada para a solução de problemas de mecânica de fluidos de interesse da Embraer e do CTA.
"Essa rede conta hoje com mais de vinte pessoas da Embraer, 100 pessoas de oito instituições de ensino-pesquisa e 20 pessoas de duas outras empresa brasileiras de tecnologia", informou a CNI.
Entre os resultados esperados pelo projeto, segundo a CNI, está o desenvolvimento e a aplicação de três novas ferramentas de engenharia que, ao serem inseridas no ciclo de desenvolvimento do produto, deverão proporcionar ganhos em produtividade e redução de riscos, além de permitir inovações tecnológicas importantes para a empresa.
"Com o CFD teremos mais uma ferramenta para fazer cálculos aerodinâmicos dos nossos foguetes e com isso diminuir a dependência dos ensaios em túnel de vento", disse Azevedo. O Brasil, segundo o coordenador do projeto, sempre teve muita competência na área de simulação de fluidos, mas o projeto CFD permitiu que se aglutinasse esse conhecimento no âmbito do programa PICTA (Parceria para Inovação em Ciência e Tecnologia Aeroespaciais), da Fapesp.