Notícia

Jornal da Tarde

Clone de vaca nasce bezerro

Publicado em 30 abril 2002

Animal que recebeu a inseminação pode ter pulado a cerca e se encontrado com touro. Erro humano não foi descartado As peripécias de uma vaca no pasto do vizinho podem ser a explicação para o nascimento de um bezerro no lugar de uma fêmea dona- da em Campinas. "Embora a vaca seja muito boazinha. ficamos sabendo que ela não respeitava as cercas" disse ontem o professor José Antonio Visintia coordenador da pesquisa de clonagem de bovinos na Universidade de São Paulo. O bezerro nasceu sábado na Fazenda Panorama, especializada em inseminações artificiais e na qual todos os animais são fêmeas. Mas é possível que a vaca que recebeu os embriões clonados tenha pula- do a cerca, literalmente, e se encontrado com o touro do vizinha Visintin disse que a vaca ficava livre para pastar durante a gestação. Por carregar um clone na barriga. evitava-se confiná-la ou submetê-la a qualquer situação de estresse. "Vaca foi feita para andar no pasto. É o melhor lugar para ela", disse. Outra possibilidade é de falha humana no laboratório. A equipe de Visintin trabalha com duas linhagens de células: uma de fetos e outra de animais adultos. Durante a preparação dos embriões, um pesquisador pode ter usado células da linhagem errada. Bem humano, o pesquisador não encara o experimento como uma derrota. A meta do projeto é produzir clones dos dois tipos de célula e descobrir se os de células adultas nascem mais velhos do que os de células jovens. PROJETO AINDA PODE TER SIDO BEM SUCEDIDO Nesse sentido, o experimento pode ter sido um sucesso. Se as células foram trocadas, o bezerro se- ria ainda um clone, só que de uma célula jovem, em vez de adulta. que era o objetivo inicial. Seria o primeiro animal clonado no Brasil a partir de uma célula somática (não embrionária), e o primeiro da raça nelore no mundo. A bezerra Vitória, produzida em 2001, foi clonada da célula de um embrião. A resposta virá ainda hoje, ou até amanhã, após a conclusão de testes comparativos de DNA com o sangue do bezerro e das duas vacas, a que doou a célula e a que recebeu o embrião. A possibilidade de que seja um clone da vaca adulta está descartada, pois o filhote seria obrigatoriamente fêmea. Cientistas da USP não descartam erro humano em possível troca de embriões