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Claudia Andujar exibe fortes obras na Galeria Vermelho com Viewing Room disponível

Publicado em 11 maio 2021

Na Galeria Vermelho, Claudia Andujar exibe políptico ‘Genocídio do Yanomami: morte do Brasil’, de 1989, e a série ‘Sonhos Yanomami’, de 2002. Em exibição de 27 de abril a 5 de junho, a mostra possui Viewing Room .

Essa é a primeira vez que a série ‘Sonhos Yanomami’ será mostrada em sua integridade e a primeira vez que ‘Genocídio do Yanomami: morte do Brasil’, idealizada originalmente como instalação audiovisual, poderá ser visto no formato de impressões sobre papel. Exibida originalmente no MASP em 1989 com projeções sequenciais, agora o políptico será exposto em 235 impressões com trilha sonora original de Marluí Miranda.

“Considero a série ‘Sonhos’ um turning point em minha experiência com os Yanomami. As imagens que compõem a série revelam os rituais xamanísticos dos Yanomami, sua reunião com os espíritos. A partir de sua criação, eu comecei a conceber uma interpretação imagética acerca dos rituais, fato que me deu acesso à genealogia do povo, aglutinando aspectos da cultura e dissolvendo as fronteiras entre os seres humanos, seus deuses e a natureza, integrando todos em um fluxo contínuo.

A fotografia é minha forma de comunicação com o mundo. Um processo de mão dupla em que você recebe tanto quanto dá. Se o registro fotográfico de culturas pode ser considerado uma forma de compreensão do outro, eu acredito que com a série Sonhos eu consegui entender a essência do povo Yanomami.”, diz Claudia Andujar. Extrato da entrevista publicada na ocasião da exposição Identidade, Fondation Cartier, Paris (2005).

Sobre a artista

Claudia Andujar nasceu em Neuchatel (Suíça), em 1931. Após a Segunda Guerra Mundial, imigrou para os EUA e, em 1955, imigrou para o Brasil. Desde então, a artista vive e trabalha em São Paulo. Durante a década de 70, Andujar recebeu bolsas da John Simon Guggenheim Foundation, e da Fundação de Apoio a Pesquisa (FAPESP), para fotografar e estudar a cultura Yanomami. De 1978 a 2000, Andujar trabalhou para a Comissão de Pró-Yanomami e coordenou a campanha para a demarcação do território Yanomami na Amazônia, criado em 1993.

Em 2000, ela recebeu o Prêmio Anual de Liberdade Cultural [Fotografia] como defensora dos Direitos Humanos da Lannan Foundation, no Novo México (EUA). Em 2003, recebeu o Prêmio Severo Gomes da Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos, São Paulo (Brasil), e em 2005, o Prêmio de Fotografia da APCA [Associação Paulista dos Críticos de Arte], pela exposição Vulnerabilidade do Ser, realizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Em 2008, foi homenageada pelo Ministério da Cultura com a Ordem do Mérito Cultural 2008. Em 2010, recebeu o Prêmio Kassel Photobook Award pelo livro Marcados (CosacNaify), em Kassel, e em 2018 a Goethe-Medaille 2018, em Weimar, ambos na Alemanha.