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Scientific American Brasil

Cirurgias de Mamas Podem Afetar Aleitamento

Publicado em 01 janeiro 2011

Cada vez mais, mulheres jovens recorrem a cirurgias por pressões estéticas sem se preocupar com efeitos negativos na maternidade

Ao submeter-se a uma cirurgia plástica de mama - implante de silicone, redução ou suspensão - as mulheres quase sempre não levam em conta a possibilidade de que isso venha a prejudicar a amamentação. Assim, a ansiedade motivada por cobranças estéticas pode levá-las a cometer erros, caso ainda estejam em idade reprodutiva e com planos de ter filhos. Isso porque alguns procedimentos podem interferir seriamente no aleitamento de seus futuros bebês.

De acordo com o cirurgião plástico que atua no Centro Especializado em Cirurgias Minimamente Invasivas (CECMI), Luiz Philipe Molina, ao contrário do que acontecia até recentemente, a maioria das mulheres que procuram essas intervenções são jovens e ainda não têm filhos. Ele recomenda que elas busquem se informar com seus médicos sobre as implicações que podem ocorrer. ``Em alguns casos, a produção de leite é diminuída, o que exige complementação alimentar e pode contribuir para a criança substituir o peito pela mamadeira. Em outros, ocorre até a impossibilidade de aleitamento``, adverte Molina.

Para ele, o cirurgião deve avaliar questões que podem descartar a cirurgia plástica de mama, como idade da paciente e se ela pretende ser mãe. Mas existem situações em que a cirurgia é indicada, caso de jovens com problemas na coluna, provocados por mamas muito grandes.

No caso do comprometimento da amamentação, Molina diz que isso pode ocorrer porque a estrutura da mama é formada basicamente por tecido adiposo, glândula e duetos (ramificações) mamários, responsáveis pela produção e condução do leite até o mamilo. E procedimentos cirúrgicos podem alterar ou lesar essa estrutura.

A redução mamária é a técnica que mais compromete a amamentação, porque altera uma quantidade maior de tecidos, em função da retirada das glândulas que produzem o leite, e também porque pode interromper os duetos que transportam o leite. Segundo o médico, ``todos os outros procedimentos também podem causar implicações e, quanto mais plásticas forem realizadas, maiores serão as dificuldades para amamentar um futuro bebê``.

O implante de silicone é o que menos afeta o aleitamento. Isso porque é ele colocado atrás da glândula mamária ou do músculo peitoral. Exceto na técnica de colocação através da borda da aréola, quando o tecido mamário é seccionado. As demais cirurgias alteram pouco a anatomia das mamas.

A maioria das pacientes que se submetem a cirurgia plástica de mama e amamentam, após o desmame, verificam que o resultado estético fica comprometido: o estiramento da pele proporcionado pelo aumento do volume da mama causa flacidez e queda. Neste caso, é comum as mulheres recorrerem a novos procedimentos corretivos.

Questão de pele

Cerca de 60% das cirurgias plásticas reparadoras no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) são para recuperação de áreas afetadas pelo câncer de pele. É o que mostra um levantamento realizado pelo órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo com pacientes atendidos no instituto.

O balanço foi feito com base no número de cirurgias realizadas pelo Icesp. Mensalmente, o órgão realiza 100 procedimentos cirúrgicos para recuperar áreas do corpo afetadas por tipos diferentes de câncer, segundo a Agência Fapesp, que divulgou os resultados.

O levantamento apontou que, por causa da exposição ao sol, 80% das neoplasias na pele atendidas no órgão são localizadas na região da cabeça e do pescoço. O câncer de mama aparece logo em seguida, com 23% dos atendimentos.

Do total de pacientes que passaram por intervenções plásticas no instituto, 80% não precisaram realizar duas cirurgias, pois a reconstrução foi imediata e ocorreu logo após a retirada do câncer.

Segundo o instituto, a cirurgia é realizada no momento de retirada do tumor, o que reduz o tempo de internação, melhora a qualidade de vida do paciente e apressa o retorno às suas atividades diárias.

No caso de reconstruções na face, a intervenção imediata ajuda a manter funções básicas, como fonação e degustação, além de abreviar o tempo de oclusão dos olhos e minimizar choques estéticos, elevando a autoestima do paciente. Cirurgias plásticas imediatas nas extremidades (pernas e braços) reduzem as chances de amputação dos membros, evitando a mutilação permanente.