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Cirurgia moderna é nova esperança para vítimas de câncer de mama

Publicado em 27 março 2006

Por Lola Felix
Agência Estado

A guerra contra o câncer de mama pode durar apenas uma batalha - com resultados positivos para a mulher. Com a radioterapia intra-operatória, a cirurgia para a remoção do tumor e a radioterapia são feitos em um mesmo procedimento. Assim, ao invés de fazer seis semanas de radioterapia, a paciente passa no máximo dois dias no hospital. Ela economiza tempo, dinheiro e saúde emocional.
O novo sistema foi apresentado este mês, durante o II Simpósio Internacional de Câncer de Mama do Hospital Israelita Albert Einstein. A técnica, no entanto, vem sendo utilizada no Brasil desde 2004. O mastologista do Hospital Albert Einstein, Antônio Frasson, que faz parte da equipe pioneira a desenvolver o sistema no País, participou de vários estudos na Europa quando trabalhava como pesquisador do Instituto Europeu de Oncologia, em Milão. O método, porém, foi criado por cientistas austríacos e alemães.
A radioterapia intra-operatória consiste em realizar a radioterapia durante a cirurgia de remoção do tumor, com uma dose radioterápica única. "Do ponto de vista da eficácia, a dose é equivalente à da radioterapia tradicional, mas é menos tóxica. Além disso, o aparelho fica em contato direto com a glândula mamária e não afeta a pele", explica Frasson.
Infelizmente, a intra-operatória não é para todas: a técnica beneficia apenas mulheres com tumores pequenos (que tenham até dois centímetros) e as que ainda podem conservar a mama afetada. Isto acontece porque a área irradiada é de mais ou menos seis centímetros de diâmetro em volta do carcinoma removido. Para mulheres com tumores grandes, a mastectomia (remoção total do seio) é ainda a única opção para a cura.
Nos 80 casos de câncer de mama tratados por Frasson com a nova técnica não houve qualquer episódio de reincidência. E, além disso, em quase todas as pacientes a mama não apresentou alterações significativas de forma. "Muitas das minhas pacientes nem sequer aparentam ter passado pelo problema", comemora o mastologista. A técnica ainda é experimental e necessita de mais estudos, mas Frasson prevê que, em breve, ela será rotineira e poderá colaborar para que o câncer de mama não seja visto como um inimigo indestrutível.
A engenheira gaúcha Lídia (nome fictício), de 49 anos, que acabou de passar por sua segunda sessão de quimioterapia dois meses após a radioterapia intra-operatória, está radiante com os resultados. "Meus seios estão apenas um pouco inchados porque faz pouco tempo que fui operada. Sei que estou curada", diz ela. Lídia foi duplamente beneficiada. Além de fazer mamografia todos os anos - o que a ajudou a descobrir o tumor com menos de dois centímetros - seu ginecologista trabalhava com Frasson. Os números da pesquisa apresentada pelo mastologista a fizeram acreditar na eficácia da nova técnica.
Por enquanto, além do Einstein, realiza na capital paulista a radioterapia intra-operatória o Hospital Sírio-Libanês. Em Campinas, no interior paulista, é possível passar pela cirurgia no Centro de Oncologia Campinas. A PUC-Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, atende pessoas de baixa renda.

Vacina em estudo
Muita gente desconfiou de uma notícia que parecia boa demais para ser verdade. Circula pela internet uma nota sobre a invenção de uma vacina para pacientes com câncer de pele e câncer de rim.
A vacina existe, sim, e está sendo estudada desde 1996 por pesquisadores dos laboratórios brasileiros Genoa e do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), aprovação do Conselho de Ética do Hospital Sírio-Libanês e supervisão dos médicos José Barbuto e Luiz Câmara Lopes.
Batizada como HybriCell, a vacina é fabricada a partir de um pedaço do tumor do paciente. Ela leva 30 dias para ficar pronta e, segundo as pesquisas, tem eficácia de até 80% para estabilização do câncer de rim e pele. Vice-presidente do Genoa, Fabio Diogo diz que há possibilidade de fabricar a vacina também para o câncer de mama.