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Cruzeiro do Sul

Cirurgia é feita com robô mecânico

Publicado em 29 agosto 2009

As duas primeiras cirurgias de fígado e pâncreas na América Latina utilizando um robô mecânico controlado remotamente foram realizadas por médicos do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

s procedimentos resultaram em artigos publicados na revista Arquivos de Gastroenterologia - detalhando os procedimentos utilizados em uma ressecção hepática para o tratamento de um tumor - e no Journal of Laparoendoscopic and Advanced Surgical Techniques - relatando o primeiro caso conhecido na região de ressecção pancreática com o uso do dispositivo robótico cirúrgico.

Os dois procedimentos foram feitos no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, e coordenados por Marcel Autran Cesar Machado, professor livre-docente de cirurgia da FMUSP. O primeiro foi publicado no início deste ano, enquanto o segundo estudo, que já foi aceito e aprovado pela revista internacional, deverá sair nos próximos meses.

Técnicas aplicadas

As duas operações utilizaram basicamente as mesmas técnicas da laparoscopia por vídeo, cirurgia minimamente invasiva na qual os médicos fazem uma pequena incisão no umbigo do paciente e introduzem um laparoscópio, instrumento de fibra óptica que permite realizar procedimentos diagnósticos e terapêuticos.

"Na primeira operação fizemos uma ressecção de fígado central, em que retiramos o miolo do fígado, uma cirurgia complexa por haver duas linhas de corte, uma do lado esquerdo e outra do lado direito do órgão. Nesse caso, o robô esculpiu a região central do fígado, além de ser decisivo para o controle do sangramento do fígado do paciente", disse Autran à Agência FAPESP.

"Na segunda cirurgia também tratamos um câncer que comprometia quase todo o pâncreas do paciente. Fizemos então uma pancreatectomia subtotal e o robô nos ajudou a identificar e enxergar melhor os vasos, artérias e veias próximas ao órgão, permitindo a retirada de cerca de 80% do pâncreas sem prejudicar outras estruturas", explicou.

O Brasil conta atualmente, segundo Autran, com quatro dispositivos robóticos cirúrgicos importados, dois no hospital Sírio Libanês, um no Oswaldo Cruz e outro no Albert Einstein, todos na capital paulista.