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Jornal da Ciência online

Círculo virtuoso

Publicado em 06 julho 2021

Por Christina Queiroz | revista Pesquisa Fapesp

Base para a compreensão da sociedade brasileira, censos demográficos impulsionam o conhecimento científico ao propiciar diálogo permanente com a academia

Às vésperas dos 150 anos de sua primeira edição, a serem completados em 2022, a realização do próximo Censo Demográfico pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) segue incerta. Indubitável permanece o fato de que fornece subsídios à elaboração de políticas públicas e as 11 edições já realizadas contribuíram para numerosas descobertas científicas, em distintas áreas do conhecimento. Foi por meio da análise de seus dados, por exemplo, que em 2010 se identificou que o Brasil é o segundo país do mundo em sociodiversidade nativa: 305 etnias indígenas vivem no território nacional. Baseadas em informações do Censo, pesquisas também revelaram que, durante décadas, o envio de remessas de dinheiro por brasileiros vivendo no exterior garantiu a sobrevivência econômica de pequenos municípios de Minas Gerais e Rondônia. Além disso, foi possível constatar que ao longo de muitos anos, mesmo depois de obterem o direito ao voto, as mulheres permaneceram excluídas do processo eleitoral. Por outro lado, a escolarização do público feminino experimentou seu ponto de inflexão na década de 1970, de forma que nos anos 2000 elas passaram a ser maioria em acesso e permanência em instituições de nível superior.

Realizado a cada 10 anos, o Censo é o único levantamento que mapeia informações sobre todos os domicílios nos 5.570 municípios brasileiros. Para tanto, utiliza dois questionários. Um básico, dirigido a todos os domicílios nacionais, e outro mais amplo, aplicado por amostragem, em cerca de 10% dos lares do país. “Além de contabilizar e mapear as condições de vida da população brasileira, o Censo atualiza a malha cartográfica e o cadastro nacional de endereços, usado para fins estatísticos. Na última edição, em 2010, o cadastro inovou ao reunir dados georreferenciados de mais de 60 milhões de residências”, explica o demógrafo Paulo de Martino Jannuzzi, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), do IBGE. Dentre os tópicos contemplados pelo Censo estão idade, sexo, cor e raça da população, condições de moradia, nível de escolaridade e renda, acesso à saúde, processos migratórios, entre outros. Programado para acontecer em 2020, o levantamento precisou ser adiado em decorrência da pandemia de Covid-19. A previsão é de que possa ser realizado no próximo ano, a um custo de R$ 2,3 bilhões – o orçamento inicial, de R$ 3,4 bilhões, sofreu cortes do Ministério da Economia, obrigando a exclusão de alguns tópicos ou tornando menos detalhado o levantamento nos blocos temáticos sobre emigração internacional, rendimento domiciliar, aluguel, entre outros. Pesquisadores de áreas como demografia e antropologia esperam que esses cortes sejam revistos até a consolidação final do questionário.

Leia na íntegra: Revista Pesquisa Fapesp