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‘Circa 1962’ narra ciência paulista nos primórdios da FAPESP

Publicado em 03 julho 2015

Por Karina Toledo, da Agência FAPESP

Uma cerimônia realizada nesta terça-feira (1º) à tarde, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), marcou o lançamento oficial do livro Circa 1962: A Ciência Paulista nos Primórdios da FAPESP, da jornalista Mônica Teixeira.

Concebida em 2012, durante as comemorações pelo Jubileu de Ouro da Fundação, a obra narra as principais atividades científicas realizadas em São Paulo nas décadas anteriores à estruturação do sistema estadual de amparo à pesquisa.

“O principal documento usado foi o relatório produzido pelo então diretor científico Warwick Kerr, que registra todos os pedidos concedidos pela FAPESP em seu primeiro ano de funcionamento. Ele próprio traçou nesse relatório o panorama científico de São Paulo naquele momento e, a partir desse texto, foi relativamente fácil continuar”, contou Teixeira.

Além de consultar os relatórios anuais produzidos pela Fundação e os processos nos quais os pesquisadores apresentaram seus projetos de pesquisa e as justificativas para sua execução, Teixeira entrevistou cerca de 40 cientistas que na década de 1960 receberam financiamento.

Outra importante fonte de pesquisa foram artigos de jornais e revistas da época, com notícias sobre a compra de equipamentos, a realização de eventos científicos e também conflitos ocorridos na administração das instituições de ensino e pesquisa estaduais. O livro reúne ainda uma vasta pesquisa iconográfica, coordenada por Vladimir Sacchetta, além de fotos cedidas por universidades, institutos e fundações, entre outros, em projeto do artista gráfico Hélio de Almeida.

Como lembra no prefácio o atual presidente da instituição, Celso Lafer, a criação da FAPESP vinha sendo gestada desde 1947, quando a comunidade científica paulista conseguiu inserir na Constituição Estadual o artigo 123, que previa o amparo do Estado à pesquisa por meio de uma fundação autônoma com repasses anuais garantidos pela legislação.

Somente em 1960, porém, a Lei nº 5.918 que criou a FAPESP foi sancionada pelo governador Carlos Alberto de Carvalho Pinto e outros dois anos se passaram até sua efetiva instalação.

“Cabe destacar a importância do governador Carvalho Pinto, pois ele teve visão da importância da instituição, levou adiante a ideia contemplada na Constituição e conferiu a configuração final à lei e aos estatutos [de criação da FAPESP]”, afirmou Lafer à Agência FAPESP.

O conceito inovador de amparo à pesquisa adotado por Carvalho Pinto, na avaliação de Lafer, só foi possível graças à existência de massa crítica suficiente na pesquisa em São Paulo formada nas três décadas anteriores à criação da FAPESP.

“Se é certo que a origem da FAPESP está ligada aos fundos universitários de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) durante o período da Segunda Guerra Mundial e à interação entre os membros da comunidade científica e o Poder Legislativo, na verdade, tendo sido posta em marcha anos depois, encontrou uma densidade de pesquisa superior àquela que existia no momento em que foi concebida. Para o livro, foi feita uma pesquisa extremamente interessante sobre quais eram os centros irradiadores e por que esses centros tiveram seu papel nessa estruturação inicial da FAPESP”, ressaltou Lafer durante a cerimônia de lançamento, que contou com a presença de Carlos Vogt, ex-presidente da FAPESP, José de Souza Martins e Vahan Agopyan, respectivamente conselheiro e ex-conselheiro da Fundação, Joaquim José de Camargo Engler, diretor administrativo da FAPESP, e José Arana Varela, ex-diretor presidente da Fundação.

Lafer destacou que a FAPESP é fruto do trabalho conjunto das diversas pessoas que se dedicaram à instituição ao longo dos anos e não de esforços individuais. Segundo ele, a FAPESP prosperou porque contou desde o início com o apoio de toda a comunidade científica e acadêmica.

“Creio que vale a pena citar uma frase do grande historiador grego Políbio: o começo não é apenas a metade do todo, mas entranha-se no fim. A FAPESP foi bem concebida e bem estruturada desde seu primeiro momento e seus primeiros dirigentes e é por isso que tem conseguido acumular resultados no transcurso do tempo”, disse Lafer.

Circa 1962: A ciência paulista nos primórdios da FAPESP

Agência FAPESP