Notícia

Jornal de Jundiaí online

Cinturão verde reforça sua base

Publicado em 26 julho 2009

Por Paula Mestrinel

Serra do Japi alcança vários municípios da Região, mas apenas Jundiaí tem a Base Ecológica

 

A sede foi construída na década de 1950 para a instalação do Mosteiro dos Capuchinhos. Anos depois, se tornou o Asilo dos Velhinhos do Japi e, em 1992, virou espaço de pesquisa para botânica, zoologia ou ecologia. Chegar à Base de Estudo de Ecologia e Educação Ambiental "Miguel Castarde", no alto da Serra do Japi, leva cerca de meia hora em veículo especial, off road, da GM. Mas isso para quem estiver em Jundiaí.

Normalmente chegam pessoas de várias cidades do Estado ou do Brasil para conhecer a reserva e também realizar pesquisas. O caminho é sempre para o alto, afinal, a base fica a 1.050 metros acima do nível do mar. Com a temperatura baixa dos últimos dias, há dificuldade até para respirar. Porém, percorrer esse caminho vale a pena, assim como o investimento que a base ecológica está recebendo, com as obras de readequação da estrutura.

A reforma na sede deve ser concluída ainda este ano, conforme previsão do diretor de Meio Ambiente, José Antônio Galego. "A base ecológica tem parceria com a Unicamp e a Prefeitura investiu R$ 50 mil para as obras de readaptação, que vão resultar em laboratórios, salas de aula, biblioteca, alojamentos e sala audiovisual. A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) conseguiu equipamentos de alta tecnologia para serem utilizados pelos pesquisadores", comenta.

A segunda fase da reforma deve começar em breve, com a troca de forro da estrutura – são 800 m² de área construída e capacidade para alojar até 48 visitantes (pesquisadores, estudantes e professores), 14 dormitórios, banheiros, cozinha industrial, espaço para laboratórios, salas de aula e escritórios. "A base serve de local de apoio para pesquisadores e recebemos gente do Brasil inteiro, com acompanhamento da Unicamp", explica Galego, acrescentando que na última semana recebeu pedido de autorização de pesquisa para estudantes de uma universidade do Rio de Janeiro.

Educador ambiental

Segundo Ronaldo Pereira, biólogo, educador ambiental e monitor, várias escolas do município visitam a base no decorrer do ano. "Com a reforma, não estamos mais recebendo os alunos", comenta o educador, que trabalha há 16 anos na base ecológica.  Na área pertencente à base também há uma estação climatológica, que mede a radiação solar, direção e velocidade do vento, umidade relativa do ar, temperatura e quantidade de chuva.

Há seis meses, com financiamento da Unicamp e Fapesp, também foi montada uma estufa na base ecológica. A intenção é cultivar mudas das diferentes vegetações existentes na Serra do Japi e fazer pesquisa. "Essa floresta ao lado de São Paulo, com diferentes tipos de fisionomia, é muito importante", destaca o biólogo.

Para o professor e pesquisador da Unicamp, João Vasconcelos Neto, a estufa se configura como uma 'casa de vegetação' (green house), que serve para apoiar as pesquisas. "Montamos um jardim temático para ensino, com plantas de lajedos, ornamentais, plantas primitivas e medicinais", acrescentou.

No ano passado, a Serra do Japi recebeu cerca de 3 mil visitantes e, até março deste ano, 21 pesquisadores desenvolviam estudos com apoio da base ecológica. Um dos requisitos para pesquisa no local é que todos os estudantes/pesquisadores têm de estar atrelados a alguma universidade brasileira. A reforma da base, iniciada no começo do ano e não concluída até o momento, deve oferecer melhor suporte às pesquisas.

A Serra do Japi abriga uma das últimas grandes áreas de Mata Atlântica do interior paulista e apresenta sua imponência em cerca de 350 km², contornando os municípios de Jundiaí, Cabreúva, Pirapora e Cajamar. É um patrimônio tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), desde 1993. A preservação também compete à Divisão Florestal, da GM, composta por 30 homens, que protegem o cinturão verde 24 horas, todos os dias.