Notícia

CNPC - Conselho Nacional da Pecuária de Corte

Ciniro Costa Junior: apesar da alta demanda de informações, pouco se sabe sobre a situação brasileira de emissão de gases de efeito estufa

Publicado em 19 setembro 2013

Por da Redação

Edição Confinamento foi criado para homenagear quem faz a diferença nos confinamentos do Brasil. Essa é uma iniciativa do BeefPoint, e tem a Assocon como parceira. A premiação foi feita durante o Interconf 2013, evento da Assocon que começou no dia 9 de setembro e encerra no dia 12 de setembro de 2013, em Goiânia/GO e que o BeefPoint fez a curadoria de conteúdo.

Para conhecer melhor os finalistas, o BeefPoint preparou uma série de entrevistas que mostram o que eles têm feito para se destacar na pecuária de corte, Ciniro Costa Junior, um dos finalistas na categoria Sustentabilidade em Confinamento preparou um artigo sobre o trabalho que tem desenvolvido na Universidade de São Paulo, sobre emissão de gases de efeito estufa em confinamento.

Ciniro Costa Junior, é doutorando em química na agricultura e meio ambiente pelo Centro de Energia na Agricultura da Universidade de São Paulo (CENA-USP) sob orientação do Dr. Carlos Clemente Cerri. Atua na área de biogeoquímica, analisando os ciclos do carbono e nitrogênio em sistemas naturais e agrícolas.

Meu projeto de doutorado esta focado em entender qual o impacto em termos de emissão de GEE proporcionado pelo atual manejo de dejetos em confinamentos de gado de corte no Brasil (da excreção dos dejetos nos currais a sua aplicação no campo) e avaliar qual o efeito que mudanças no sistema de manejo teriam em relação a essas emissões.

Durante os três últimos anos temos tido contato com diversos pesquisadores e órgãos nacionais e internacionais sobre o tema em questão. Contudo, apesar da demanda crescente sobre esse tipo de informação, pouco se sabe sobre a situação nacional brasileira.

Assim, no início da pesquisa entrevistamos 73 confinamentos em vários estados do Brasil, com o objetivo de construir uma base de dados sobre o manejo de dejetos em confinamentos de gado de corte e que, consequentemente, pudesse direcionar pesquisas prioritárias para a melhor compreensão das emissões de GEE por essa fonte.

Os resultados dessa primeira fase nos mostrou uma considerável heterogeneidade de manejo de dejetos e estruturas de confinamento. Essa heterogeneidade por sua vez, impediam que generalizações fossem feitas a respeito da magnitude das emissões de GEE pelos dejetos e quais caminhos seriam adequados para a redução dessas emissões.

Para diminuir essas incertezas, análises de campo foram efetuadas no ano de 2012 e contemplaram dois confinamentos com manejo de dejetos contrastantes no Brasil. O primeiro contou com o manejo de dejetos mais comum encontrado em nossa base de dados: limpeza do curral ao final do ciclo de engorda com estocagem dos dejetos em montes posteriormente a sua aplicação no campo. Enquanto no segundo confinamento, os dejetos são lavados periodicamente e direcionados a biodigestores anaeróbios, gerando energia para o confinamento e proporcionando o biofertilizante, que é utilizado como fertilizante em culturas agrícolas.

Atualmente, estamos analisando esses resultados coletados a campo em um estágio de doutoramento, financiado pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), com pesquisadores da Universidade de New Hampshire (EUA).

Com auxílio de um modelo matemático (software), um dos objetivos do estágio é eficientemente explorar os dados coletados a campo para que esclareça possíveis alternativas de manejo de dejetos capazes de reduzir as emissões de GEE levando em consideração particularidades de cada confinamento, como: condições climáticas, características dos animais, da dieta e da estrutura do confinamento, tipo e manejo do solo e culturas agrícolas fertilizadas com os dejetos.

Pretendo fazer o aprimoramento de uma ferramenta computacional que reflita as condições encontradas no Brasil e que seja capaz de avaliar, para um confinamento específico, o sistema de manejo de dejetos mais eficiente em reduzir as emissões de GEE. Essa ferramenta poderia auxiliar na tomada de decisão para aumento da sustentabilidade ambiental do confinamento aliada a sustentabilidade econômica da implementação de tais práticas.

Para mais informações sobre o trabalho que estamos desenvolvendo, publicações nos periódicos Journal of Animal Science (American Society of Animal Science) e Mitigation and Adaptation Strategies for Global Change (Springer) podem ser acessadas. A previsão de disponibilidade da tese de doutorado para consulta é para Junho de 2014.