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Cine Matilha Cultural

Cine Matilha recebe lançamento de filme " A arte e a rua"

Publicado em 07 dezembro 2011

A arte e a rua

sinopse:

Cidade Tiradentes, distrito no extremo Leste de São Paulo, lugar onde a cidade termina, ou começa. De lá, chegam rimas, gestos e cores que marcam o espaço, como o street dance, grafite e rap. A experiência periférica urbana é a base e o motivo da produção dos artistas de Cidade Tiradentes, que cresceram junto com o distrito paulista e em suas obras dialogam com seus desafios e sonhos. O filme segue a vida e as transformações da arte de rua com a urbanização em Cidade Tiradente, lugar considerado o maior complexo de conjuntos habitacionais populares da América Latina, marcado pela exclusão, no qual a população orquestra suas dificuldades com dinâmicas próprias de sociabilidade, moradia, e apropriação do território.

Ficha técnica:

Full HD, NTSC, cor, 46 min, 2011.

Direção, pesquisa e roteiro

Carolina Caffé e Rose Satiko Gitirana Hikiji

Montagem e Roteiro de montagem

Douglas Guedes e Karine Binaux

Direção de Fotografia

Rafael Nobre

Direção de handycam e produção local

Daniel Hylario

Produção: Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (LISA-USP); Instituto Polis e W.S. Produções

Apoio: Etnodoc - Edital de Apoio a Documentários Etnográficos sobre Patrimônio Imaterial

Projetos de pesquisa

Cartovideografia Sociocultural da Cidade Tiradentes: www.cidadetiradentes.org.br Realização: Instituto Pólis. Apoio: Centro Cultural da Espanha_SP

"Projeto Temático Antropologia da Performance: Drama, Estética e Ritual". Apoio: FAPESP.

Projeto temático "A experiência do filme na Antropologia". Apoio: FAPESP.

Resenha:

O filme etnográfico A arte e a rua apresenta formas de arte apropriadas por jovens moradores de Cidade Tiradentes para expressar a sua relação com o território. Cidade Tiradentes é o maior complexo de conjuntos habitacionais populares da América Latina, com cerca de 50 mil unidades habitacionais e mais de 250 mil habitantes, projetado pelo poder público como cidade dormitório, no extremo leste da cidade de São Paulo.

O filme A arte e a rua acompanha essa experiência periférica urbana e coletivos de arte de rua, como o street dance, grafite e rap, que cresceram junto com o distrito e em suas obras dialogam com seus desafios e sonhos. Daniel Hylario, morador com grande proximidade com o universo artístico e com a juventude de Cidade Tiradentes, nos conduz pelas suas ruas, tecendo reflexões sobre as transformações na localidade e em suas produções artísticas.

Artistas de Cidade Tiradentes

RDM (Rapaziada do Morro) é um grupo de rappers que vivem desde a infância em Cidade Tiradentes. São filhos dos primeiros moradores do distrito, que construíam suas casas em sistema de mutirão, "sempre se encontrando para levantar uma fileira de bloco". Essa segunda geração de Cidade Tiradentes compôs seu grupo e músicas nesta realidade sem muros. No filme, refletem sobre as transformações no bairro, na arte e em suas vidas.

O 5Zonas aconteceu na rua, quando seus integrantes viram nos muros o lugar comum de sua expressão. O grafite do 5Zonas é uma manifestação local de uma arte por meio da qual São Paulo vem se destacando internacionalmente. Arte de rua, o grafite ganha cada vez mais espaço em museus e galerias. Colorindo os muros de Cidade Tiradentes, o coletivo discute essas mudanças.

Locking, popping, power movie, salto mortal são alguns dos movimentos que o Tiradentes Street Dancers realiza em suas apresentações, campeonatos e ensaios em Cidade Tiradentes. Seu fundador, Ivan, conheceu a dança de rua no berço do movimento Hip Hop, a estação São Bento, nos anos 80 e hoje é um dos principais ativistas da dança em "CT". O CEU (Centro Educacional Unificado), um dos equipamentos públicos recentemente construídos no distrito, é local de aulas e campeonatos da modalidade. A dança da rua vai para a escola.

O Hip Hop, comum aos três grupos já apresentados, é um movimento artístico com forte vínculo na curta história de Cidade Tiradentes. Relato Final, quarto elemento que constitui a trança deste filme, é um exemplo peculiar de apropriação da música de rua pela religião. Seus integrantes pregam com a rima, reforçando o coro evangélico, que cresce vertiginosamente no bairro.

Etnografia urbana, antropologia compartilhada

As diretoras do filme conheceram Cidade Tiradentes e seus artistas no processo de pesquisa para um mapeamento audiovisual das dinâmicas protagonizadas por jovens artistas de Cidade Tiradentes. Carolina Caffé integrava a equipe da produção do mapeamento e Rose Satiko G. Hikiji foi a consultora etnográfica. Artistas moradores de Cidade Tiradentes foram convidados a atuar como pesquisadores na equipe do projeto. Foram realizadas entrevistas e gravações com 50 dos 200 grupos mapeados. Um website interativo (www.cidadetiradentes.org.br) foi o produto final da pesquisa, com o objetivo de que o conhecimento produzido na e com a comunidade fosse efetivamente apropriado por ela.

A pesquisa etnográfica iniciada em março de 2009 baseia-se no projeto de Antropologia Compartilhada, tal como idealizado pelo antropólogo-cineasta Jean Rouch, que inclui o processo de discussão contínuo com os pesquisadores-moradores, que revelam-se conhecedores profundos da realidade local. Esta apropriação do território, expressada em suas obras artísticas, foi a inspiração para esse filme.

Estrutura fílmica

Alguns elementos devem ser destacados na estrutura do filme.

Uma das suas camadas narrativas pode ser chamada de etnografia dos grupos. Procuramos descrever seus deslocamentos no território, os equipamentos e espaços que utilizam para apresentações e ensaios, suas práticas artísticas, sua sociabilidade, e suas reflexões.

A segunda camada narrativa explora a metodologia da "câmera bastão". Daniel Hylario, morador de Cidade Tiradentes, e alguns dos artistas apresentados no filme, têm em mãos uma câmera para gravar o seu universo sem a presença da equipe. O material registrado traz cenas únicas da vida cotidiana destes artistas, no trabalho, na rua e em casa, além de reflexões instigadas pelo questionamento de alguém com quem compartilham a experiência de viver no bairro. O material revela, por meio de outra perspectiva e textura fílmica, o olhar do artista sobre a sua experiência cotidiana, que é o material bruto das suas criações.

A terceira camada narrativa do filme é a artística. A materialidade do grafite, da dança e da música ganham forma seja nos eventos protagonizados pelos grupos seja em cooperações entre eles e nossa equipe, como a animação com o coletivo 5Zonas.

Produção

O filme desenvolve-se a partir do curta-metragem "Lá do Leste" (2010), realizado com apoio do Etnodoc - Edital de Apoio a Documentários Etnográficos sobre Patrimônio Imaterial (IPHAN-Ministério da Cultura). É uma co-produção do Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (LISA-USP) do Instituto Polis e da W.S. Produções. Contou com apoio da FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, por meio dos projeto temáticos "Antropologia da Performance: Drama, Estética e Ritual" e "A experiência do filme na Antropologia", nos quais Rose Satiko Hikiji realiza suas pesquisas. O filme nasce no contexto do projeto Cartovideografia Sociocultural da Cidade Tiradentes: www.cidadetiradentes.org.br, realizado pelo Instituto Pólis, com apoio do Centro Cultural da Espanha_SP.

Diretoras

Carolina Caffé é socióloga e documentarista. Especializada em antropologia visual. integra a Área de Desenvolvimento Cultural e de Comunicacão do Instituto Pólis. Foi coordenadora adjunta do projeto Mapa das Artes da Cidade Tiradentes (www.cidadetiradentes.org.br), atualmente é coordenadora executiva do projeto Pólis Digital - Mídias Livres e Cidadania Cultural, produzindo sessões mensais de cineclube e mídias livres no Instituto Pólis.

Rose Satiko Gitirana Hikiji é antropóloga, professora do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo e vice-coordenadora do Laboratório de Imagem e Som em Antropologia da USP (LISA). Dirigiu diversos filmes etnográficos, entre eles Cinema de Quebrada (2008), Pulso, um vídeo com Alessandra (2006) e Microfone, Senhora (2003). É autora do livro A música e o risco (Edusp/Fapesp, 2006) e co-organizadora dos livros Escrituras da Imagem (Edusp, 2004) e Imagem-Conhecimento (Papirus, 2009).

Contatos das realizadoras

Carolina Caffé carolina.caffe@gmail.comEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. - (11) 96009926

Rose Satiko Gitirana Hikiji satiko@usp.brEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. - (11) 92978613 (cel) / (11) 37141741 (res)