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Universia Brasil

Cietec terá incubadora de idéias

Publicado em 26 dezembro 2006

O Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), instalado no Campus da Cidade Universitária da USP, vem se destacando como principal entidade independente do setor. Sua importância se potencializará em fevereiro de 2007, quando 400 metros quadrados de um prédio em fase final de conclusão ao lado do Cietec abrigarão a Incubadora de Idéias, focada principalmente nos estudantes dos diversos cursos de graduação, da USP ou fora dela.
Outro aporte significativo será a criação do Núcleo do Parque Tecnológico, em construção num terreno de 24.600 metros quadrados pertencente ao Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (Ipen), mesmo local onde está instalado o Cietec. As iniciativas poderão ampliar a atuação do centro, que hoje já é o maior núcleo não ligado especificamente a apenas uma empresa em operação no País, segundo a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), que reúne dados de 380 incubadoras de empresas do Brasil.
Dados fornecidos pela direção do centro apontam que em 2007 o faturamento das 115 empresas instaladas no local deverá ser de R$ 28,7 milhões, 12,1% superior ao registrado em 2005, que foi de R$ 25,6 milhões. Neste ano foram registradas cinco patentes de produtos e três protocolos - que podem vir a se tornar patentes. Em nove anos de atuação foram criados 240 produtos. Ao longo do período também foram realizados 19 registros e 30 protocolos de patentes. Juntas as empresas reúnem atualmente 570 profissionais.
Para o gerente executivo da Cietec, Sérgio Risola, mais importante que a evolução dos números é o conceito desenvolvido no local, que possibilita às empresas ali instaladas uma significativa redução nos índices de mortalidade. Contrariando a tendência das pequenas, que em 75% dos casos fecham suas portas antes de completar três anos de existência, as empresas incubadas no Cietec têm índices de sobrevivência superiores a 70%, em igual período. Ou seja, o inverso. "Se olharmos os índices de pequenas empresas do mercado que nascem e morrem em até três anos, vamos observar que no Cietec 90% ainda estão com suas portas abertas. Se observamos o comportamento de até cinco anos, ao menos 70% permanecem na ativa. Fazemos a curva inversa", afirma Risola.
Tal desempenho tem sua razão de ser. Apesar de um orçamento modesto de R$ 952 mil projetado para este ano, o local reúne um seleto grupo de 20 consultores altamente qualificados distribuídos em várias áreas da gestão. Por estar num local estratégico, o campus da USP, também estimula o intercâmbio e colaboração entre os diversos setores da universidade e o centro.
É por conta disso que a aposta na Incubadora de Idéias é considerada estratégica pela direção da entidade. "Queremos trazer as boas idéias que ainda não reúnem condições de serem projetos mas podem render bons protótipos para cá", afirma Risola. Na definição dele, seriam pré-projetos que poderiam vir a ser adotados no Cietec. A diferença é que não será necessário, neste local de 400 metros quadrados, ter uma empresa. O protótipo poderá ficar no local até um ano. "Se ao final de 2007 tivermos apoiado 30 projetos e desses, 10% vierem a integrar o Cietec, já nos daremos por satisfeitos", afirma.
Apesar de parecer pouco quantitativamente, o conteúdo pode ser determinante para muitas empresas. "Multinacionais investem bilhões em todo o mundo no desenvolvimento de núcleos de pesquisa. Uma dessas idéias pode sair daqui", avalia o gerente executivo. Um dos exemplos é o da Nokia no País natal da empresa, a Finlândia. A empresa fatura 10% de todo Produto Interno Bruto daquele Pais, suas ações movimentam metade da Bolsa de Helsinque e seu investimento em ciência e tecnologia totaliza 35% do que o país gasta no setor. Na China a estimativa é que existam ao menos 20 mil pesquisadores distribuídos em 20 mega parques tecnológicos.
Risola afirma ser esperançoso em relação aos resultados que podem advir da Incubadora de Idéias e o Núcleo do Parque Tecnológico - um conceito ampliado do Cietec - mas dificilmente o Brasil chegará ao patamar de Europeus e os Tigres Asiáticos no que se refere a pesquisa e desenvolvimento. "É necessário uma mudança conceitual e mais incentivos por parte do governo", diz. Para ele, potencial São Paulo tem de sobra. "Sabemos que todos os dias ao menos 2.000 homens de negócios desembarcam em Congonhas e aqui temos 45 câmaras de comércio. Não é pouco", diz.
O Cietec é fruto de um convênio firmado entre entidades como Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP), USP, Ipen e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). O local funciona desde 1998 na Cidade Universitária, dentro do campus da USP, no Butantã, zona oeste da capital. Outra forte incentivadora é a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que de 2002 até novembro deste ano investiu R$ 12,2 milhões em 95 projetos de 73 empresas ligadas ao Cietec.
O conselho que administra o Cietec leva, no mínimo, quatro meses no processo de seleção. Após assistir a uma palestra na qual são informados os critérios para adesão no projeto, os interessados precisam cumprir um a um cada tópico do minucioso edital. A proposta inicial precisa ressaltar a inovação, palavra-chave para poder ser selecionado. Entregue a proposta o candidato é convidado para um workshop seguido de curso para gerar um plano de negócios. Após análise, se aprovado, o candidato a permanecer no centro incubador tem o prazo de 45 dias para constituir empresa.
Em média as empresas pagam por mês R$ 600 para poder utilizar os serviços do Cietec. Após conclusão do protótipo, comercialização e negócios, o objetivo final é gerar faturamento. A empresa residente então é obrigada a pagar 2% do total do faturamento pela patente do produto (royalties), relativo ao tempo em que esteve residente no centro incubador. A cobrança é feita para bancar espaço e infra-estrutura.
Uma das empresas do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas - a Insolita Studios - foi uma das duas vencedoras na categoria Jogos Completos da JogosBR edição 2006/2007, promovido pelo Ministério da Cultura com com o apoio da Associação Brasileira das desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames), Associação Cultural Educação e Cinema (Educine), Electronic Game Show (EGS), Knum 3D e do Game TV. O prêmio foi de R$ 80 mil. O CaveDay, criado em 2D, foi escolhido em meio a 200 projetos inscritos. Trata-se de um jogo de download voltado ao mercado internacionial e será vendido no site da empresa e distribuído por portais especializados. [Jornal do Commercio]