Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Cientistas usam esgoto como adubo alternativo

Publicado em 04 setembro 2005

Agricultura — Experimentos com alface têm resultados positivos

Imagine as prateleiras dos supermercados repletas de verduras e legumes cultivados em solo tratado com esgoto. Se os estudos desenvolvidos na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) derem certo, isso pode ser realidade no futuro. Os pesquisadores estão avaliando a produção de alface em solo tratado com diferentes doses de lodo de esgoto como fonte de matéria orgânica.
Os técnicos do Centro de Ciências Agrárias da Ufes fizeram cinco experimentos comparativos com a alface do tipo Lívia. As mudas foram cultivadas em solo sem adubação e com o lodo de esgoto em proporções crescentes. O material orgânico utilizado foi proveniente da Estação de Tratamento de Esgoto do município de Jerônimo Monteiro (ES).
"Nossa meta é achar possibilidades inovadoras de utilização do esgoto produzido nos grandes centros urbanos. Esse material já vem sendo testado em culturas de feijão, milho, cana, maracujá e em plantações de coqueiros", disse José Carlos Lopes, coordenador da pesquisa, à Agência FAPESP.
Antes de ser agregado ao solo, o lodo de esgoto precisa ser higienizado com diferentes produtos químicos, o mais importante deles o óxido de cálcio (cal). As mudas foram semeadas em vasos individuais, sendo que todos receberam uma adubação básica com superfosfato.
Depois de aproximadamente dois meses, os pesquisadores verificaram, durante a colheita, a massa seca da parte aérea e o número médio de folhas por planta. "O crescimento das plantas que receberam o tratamento com esgoto higienizado foi estatisticamente superior ao das plantas controle. À medida que se aumentou a dosagem do lodo, maior foi o índice de produtividade das mudas de alface", conta Lopes.
Depois do sucesso em termos produtivos, os obstáculos agora são do ponto de vista da saúde humana. Apesar de baixo, o estudo registrou a presença de microrganismos patogênicos em algumas amostras de alface. "As culturas que passam por esse tipo de tratamento ainda não são recomendadas para o consumo humano. Apesar de significativos, os testes ainda são preliminares", alerta Lopes.
Atualmente, a equipe coordenada pelo professor do Departamento de Fitotecnia da Ufes está trabalhando no aprimoramento de novas tecnologias de higienização para melhorar as características físico-químicas do lodo urbano e possibilitar o consumo seguro dos alimentos estudados.

Agência Fapesp