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Cientistas usam bactéria para produzir droga anticâncer mais barata

Publicado em 14 outubro 2010

Cientistas do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e da Universidade de Tufts, nos EUA, propõem a utilização de micro-organismos para produzir medicamento contra o câncer a baixo custo.

O paclitaxel, comercializado com o nome Taxol, empregado em quimioterapia em tratamentos de tumores de ovário, mama e pulmão, é produzido a partir de um componente da casca da árvore teixo-do-pacífico, que tem atividade antitumoral. Porém, o tratamento de um único paciente requer o corte e processamento de duas a quatro árvores, que levam dezenas de anos para atingir o tamanho ideal de corte.

Atualmente, o paclitaxel também pode ser derivado do mais abundante teixo europeu ou de células das árvores em cultura, mas ainda assim os processos são complexos e lentos. O resultado é que uma única dose da droga pode chegar a cerca de R$ 16,5 mil (US$ 10 mil).

A bactéria Escherichia coli, uma das mais comuns e que acompanham o homem há mais tempo, vinha sendo investigada para a produção do paclitaxel, mas um novo estudo conseguiu resultados em escala inédita.

Segundo a Agência Fapesp, os cientistas do MIT e da Tufts modificaram geneticamente a E.coli de modo que produzisse em grandes quantidades um composto chamado taxadieno, um precursor do paclitaxel. A sequência metabólica complexa que produz o medicamento envolve pelo menos 17 estágios intermediários e ainda não é totalmente compreendida.

O objetivo dos autores do estudo era otimizar a produção de dois importantes intermediários: o taxadieno e o taxadieno-5-alfa-ol. A E.coli não produz naturalmente o taxadieno, mas pode sintetizar um composto chamado IPP, que está a dois passos do taxadieno.

Gregory Stephanopoulos, do MIT, e outros cientistas decidiram modificar geneticamente a bactéria de modo a tentar fazer com que ela produzisse o composto desejado. Para isso, adicionaram dois genes de plantas, também modificadas, para que pudessem funcionar na bactéria.

A proposta era ver se os genes codificariam as enzimas necessárias para produzir as reações que faltavam. Os cientistas não apenas conseguiram como variaram o número de cópias dos genes de modo a encontrar a combinação mais eficiente.

O resultado é que a produção do taxadieno foi multiplicada em mil vezes em relação aos melhores resultados já obtidos a E.coli.

Stephanopoulos destacou a importância de produzirem um medicamento mais barato, principalmente em um momento em que os custos para o desenvolvimento de medicamentos são muito altos.

Se pudermos fazer um Taxol mais barato, será ótimo. Mas o que realmente nos empolgou é a perspectiva de usar essa plataforma para descobrir outros compostos terapêuticos. Isso em um momento de declínio do surgimento de novos produtos farmacológicos e de grande elevação nos custos para o desenvolvimento de medicamentos.