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Cientistas transformam biotecnologia em negócios promissores

Publicado em 13 fevereiro 2007

O longo caminho entre a ciência e o mercado está diminuindo no Brasil. Com apoio de entidades privadas e universidades, cresce o número de empresas que conseguem transformar descobertas científicas em negócios de sucesso.

Segundo estimativas da Fundação Biominas, instituto que dá suporte a bionegócios, o número de empreendimentos em biotecnologia aumentou 25% nos últimos três anos. O setor entrou para a pauta do governo federal. Na última quinta-feira, o presidente Lula lançou um programa que promete investir R$ 10 bilhões na bioindústria até 2017.

Essa é uma indústria emergente no País. Três em cada quatro são micro e pequenas empresas ou estão incubadas. Boa parte delas ainda é muito jovem. A mineira Ecovec é uma dessas recém-nascidas com um futuro promissor pela frente.

Seu produto - um sistema inteligente de monitoramento e combate à dengue - foi lançado no ano passado, depois de três anos sendo desenvolvido pelo biólogo Álvaro Eiras, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No primeiro ano, a empresa faturou R$ 150 mil, vendendo a tecnologia para prefeituras, resorts e indústrias.

Para sair do laboratório, Eiras fechou parceria com o Instituto Inovação, entidade privada que presta serviços de gestão a negócios inovadores. "O instituto captou fornecedores e clientes e deu toda a infra-estrutura necessária para a empresa ir pra frente", afirma o diretor da Ecovec, Gustavo Junqueira. Segundo ele, o plano de negócios da companhia prevê um faturamento de R$ 30 milhões nos próximos cinco anos.

Imagem A imagem do cientista que vive trancado no laboratório, sem visão do mercado, está mudando, segundo o diretor-presidente da Biominas, Eduardo Emrich. Um dos motivos que explicam a mudança é que as universidades - celeiros de novas tecnologias - estão mais abertas ao empreendedorismo. Segundo Emrich, as instituições de ensino também ganham com a descoberta do mercado pelos cientistas. "Há mais recursos para investir em novas pesquisas." A Bug Agentes Biológicos, de Piracicaba, interior de São Paulo, não teria saído rapidamente do casulo se não tivesse conseguido um financiamento de R$ 1 milhão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O dinheiro foi usado para produzir em escala comercial uma tecnologia desenvolvida na universidade, que usa larvas para combater pragas na agricultura. "Começamos a exportar em 2003 e já vencemos empresas americanas e européias em licitações lá fora", diz o engenheiro. Hoje, a Bug tem clientes na Suíça, França e Bélgica e cresce a um ritmo de 50% ao ano.