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Cientistas reunidos em Londres debatem propostas para a Rio+20

Publicado em 26 março 2012

Por Cláudio Motta - O Globo

RIO - Cerca de 2,8 mil especialistas de todo mundo estão reunidos em Londres para participar do "Planet Under Pressure" ("planeta sob pressão"), que começa nesta segunda-feira e vai até quinta-feira. O objetivo é reunir cientistas da área ambiental para tentar influenciar a pauta de discussões da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, no Rio. Uma nova ferramenta vai ajudar os pesquisadores a entender melhor o aquecimento global. Londres abriu nesta segunda-feira o Centro de Medição de Carbono (CCM, em inglês), que permitirá obter dados mais precisos sobre as emissões de CO2.

Organizado pelos programas da ONU ligados à área ambiental - International Programme of Biodiversity Science (Diversitas), International Human Dimensions Programme on Global Environment Change (IHDP), World Climate Research Programme (WCRP) e International Council of Scientific Unions (ICSU) -, o Planet Under Pressure deverá gerar uma carta de recomendações para a Rio+20 baseada em todo o conhecimento científico disponível acerca das mudanças climáticas. Um vídeo, publicado nesta segunda-feira, mostra como ocorreu um grande aumento dos lançamentos de gases-estufa no mundo nos últimos anos.

- Será a última oportunidade de manifestar nossos pontos de vista e questionamentos. Destacar que a ciência já avançou o conhecimento e tem contribuições significativas para dar às discussões ambientais. Tentaremos evitar que a RIO+20 se torne um evento puramente político - disse Carlos Joly, coordenador do programa BIOTA-FAPESP e diretor do Departamento de Políticas e Programas Temáticos da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em nota divulgada pela Fapesp.

O documento oficial que será discutido na Rio+20 ainda está sendo formulado. Mas seu primeiro rascunho já foi divulgado, tendo sido considerado excessivamente genérico pelos pesquisadores da área ambiental.

O CCM também pretende influenciar as discussões ambientais, produzindo dados mais precisos sobre os efeitos das mudanças climáticas, além de desenvolver tecnologias limpas para o meio ambiente.

- Os dados das estações terrestres e dos satélites são inseridas em modelos científicos para chegarmos às conclusões acerca do aumento do nível do mar e de outros impactos sobre o clima - disse Jane Burston, diretora do CCM. - Portanto, quanto melhor sejam os dados, mais confiáveis serão os modelos e as previsões.

Os especialistas do CCM também vão verificar se produtos desenhados para ter baixas emissões de CO2 estão cumprindo este objetivo.