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Cientistas reivindicam autonomia para a FAP-DF

Publicado em 17 maio 2007

Tema foi discutido, nesta quarta-feira, em audiência pública promovida pela Comissão de Desenvolvimento Econômico Sustentável, C&T, Meio Ambiente e Turismo da Câmara Legislativa do Distrito Federal, para debater a política local de C&T

Timothy Mulholland, reitor da UnB, defendeu a autonomia administrativa e financeira para a Fundação de Apoio à Pesquisa (Fap).

"Temos o exemplo da Fapesp, em SP, que funciona desde a década de 40 com autonomia e é exemplo para o país em termos de investimento em C&T, independente de recursos federais", afirmou.

Para o reitor, Brasília tem vocação natural para o conhecimento. "Nós temos alguns dos melhores cérebros do país; aqui tropeçamos com PHDs na rua", elogiou.

A reivindicação do reitor encontrou coro na fala da presidente da FAP, Maria Amélia Teles, que defendeu a autonomia da instituição como forma de incentivar a produção científica do DF:

"A autonomia administrativa e financeira, livre de ingerências políticas, é muito importante para uma instituição que financia projetos científicos, muitos deles considerados politicamente irrelevantes".

O secretário-adjunto da SBPC/Brasília, Flávio Botelho Filho, criticou a vinculação do investimento em pesquisa à geração de empregos:

"Não se trata de gerar empregos, e sim conhecimento. Temos pesquisas na área de saúde, por exemplo, que podem desempregar trabalhadores de hospitais, mas são importantíssimas para a evolução da medicina".

O dep. Paulo Tadeu (PT) lembrou que a Lei Orgânica do Distrito Federal destina 2% dos investimentos do orçamento à FAP, mas que no ano passado, apenas 0,2% foi efetivamente repassado.

"O governo destinar R$ 400 mil no ano passado para as pesquisas científicas demonstra o descaso com a área", criticou.

O secretário de C&T do DF, Izalci Lucas, procurou defender o governo.

"O Arruda assumiu com uma série de dívidas que engessam o orçamento, não é fácil cumprir essa determinação legal, mas acredito que o mais importante é a regularidade, pois as pesquisas não podem parar por falta de recursos", afirmou.

Segundo Izalci, o GDF está pagando agora um compromisso assumido com o CNPq em 2004, que adiantou recursos para não prejudicar as pesquisas em andamento.

"O governo enxerga como prioridade o investimento em C&T, mas temos que ter em mente nossas dificuldades; para se ter uma idéia, 70% do nosso orçamento é destinado exclusivamente à folha de pagamentos", disse Izalci.

(Coordenadoria de Comunicação Social da Câmara Legislativa do DF)