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Correio Popular

Cientistas querem mapa da biodiversidade de São Paulo

Publicado em 17 dezembro 2006

Um workshop organizado pelo Programa Biota-FAPESP, em novembro, em São Paulo, reuniu 130 pesquisadores com a proposta de fazer um mapa que indique as áreas prioritárias para conservação e restauração da biodiversidade no Estado. Os cientistas se basearam nos dados do Sistema de Informações Ambientais do Biota (SinBiota) e em outras fontes complementares fornecidas pelos parceiros da iniciativa: Fundação Florestal, Instituto Florestal, Conservação Internacional e o Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria). O produto final do trabalho coletivo será apresentado em 5 de junho de 2007, Dia do Meio Ambiente. "Concluímos que o banco de dados poderá ficar ainda mais completo com dados obtidos por pesquisadores que estavam presentes no workshop, mas que ainda não foram integrados. Essa complementação será feita até 15 de março. A partir daí serão gerados os mapas de áreas prioritárias, a serem divulgados em junho", disse. (Da Agência Fapesp)

Juréia tem seus limites ampliados
Mudanças previstas para a área, no entanto, recebem críticas de especialistas
O governo do Estado de São Paulo sancionou na última quarta-feira, dia 13, o projeto de lei que altera os limites da Estação Ecológica da Juréia-Itatins, agora transformado na Lei n. 12406/06. O mosaico que resultou da alteração, reclassificando áreas para usos diferentes, terá um Conselho Consultivo e cada unidade de conservação deverá ter o seu respectivo Conselho Gestor. Os Planos de Manejo, por sua vez, deverão ser concluídos no prazo máximo de 180 dias após a promulgação da Lei.
A lei reclassifica como Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) as áreas do Despraiado, situada em Iguape, e a Vila Barra do Una, situada em Peruíbe, acrescida da parte do mar costeiro e da parte do Rio do Una. Cria ainda o Parque Estadual do Itinguçu, que engloba áreas situadas em Peruíbe.
Também reclassificou como Parque Estadual do Prelado a área situada junto à praia da Juréia, em Iguape, onde também está situada a Trilha do Telégrafo, por onde transitam os romeiros na ocasião da Festa do Bom Jesus de Iguape. Uma outra alteração, essa proposta pela Secretaria do Meio Ambiente, se refere à exclusão dos limites da Estação, da área dos bananais, no município de Miracatu, ao norte da Estação.
A área da Estação também foi ampliada com a integração da área dos Banhados de Iguape, passando de 79 mil hectares para cerca de 96 mil hectares. A área dos Banhados, que é contígua à área da Estação Ecológica Juréia-Itatins, possui a maior área florestada de planície costeira do Litoral Centro-Sul do estado de São Paulo e abriga fauna ameaçada de extinção.
Outras duas áreas que não faziam parte da Estação e passarão a ser classificadas como Refúgios Estaduais de Vida Silvestre, são as das ilhas do Abrigo ou Guaraú e Guararitama.
Alguns especialistas, como o geógrafo Aziz Nacib Ab'Saber, um dos mais respeitados do País, criticam as alterações. Para eles, não há nenhum estudo sobre a capacidade de sustentabilidade das áreas reclassificadas pela lei. Para Ab'Saber, o mosaico é a "pior coisa que poderia acontecer, pois vai quebrar o sistema defendido no passado".