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Revista Sustentabilidade

Cientistas paulistas pedem mais articulação entre pesquisadores para dar salto em ciência e inovação

Publicado em 01 abril 2011

Por Alexandre Spatuzza

 

A comunidade ciêntifica paulista levará à 4ª Conferência Nacional de Ciência Tecnologia uma proposta visando aumentar o número de doutores e interecâmbio de conhecimento, segundo a conclusão da Conferência Paulista de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Segundo os especialistas, que estavam reunidos durante dois dias na capital paulista, é necessário aumentar o número de pesquisadores e ao mesmo tempo melhorar a articulação entre as universidades, os institutos de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico.

"Setorialmente, cada instituição é muito paulista é muito boa”, disse Shozo Motoyama, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH/USP). "Mas falta articulação entre os setores, os institutos de pesquisa não conversam com as universidades, não há interação, articulação e trabalho em rede."

O evento contou com presença de 400 pessoas. Entre os palestrantes estiveram professores, pesquisadores, empresários, pró-reitores de universidades, que afirmaram a necessidade de fortalecer as redes de pesquisa entre instituições e a pesquisa colaborativa.

Para Motoyama, tais mudanças poderão consolidar a contribuição que o estado dá para a o setor ciência e tecnologia no país, pois o estado investe porporcinalmente mais do que o pais: 1,52% em comparação a 1,2%.

Luís Henrique Lopes dos Santos, também professor da FFLCH/USP, explicitou a necessidade de mais colaboração, atividade na qual o Brasil fica aquém dos outros países. Segundo ele, a falta de pesquisas colaborativas entre diversas instituições coloca o país em uma área periférica no universo científico internacional. Uma das consequências são sérias dificuldade de acesso de estudantes a universidades estrangeiras e à publicações mais conceituadas em suas áreas, no fundo grandes barreiras ao desenvolvimento científico brasileiro.

CULTURA DE INOVAÇÃO

Outro tema discutido na conferência foi o papel das incubadoras de empresas e dos parques tecnológicos na implantação de uma cultura de inovação do país e será o grande desafios para a C,T,&I nacional nos próximos anos.

"Temos que fazer os alunos acreditarem que é possível inovar e ser empreendedor", disse Fernando Landgraf, diretor de inovação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e professor de engenharia metalúrgica da escola Politécnica da USP.

Entre as propostas a serem levadas para a conferência nacional está de fortalecer a discussão sobre meios de aproximar os alunos do ensino fundamental dos temas de ciência e tecnologia.

Landgraf exemplificou essa dificuldade citando que os 40 alunos do 5º ano de engenharia metalúrgica da Escola Politécnica da USP estão mais interessados em encontrar o seu primeiro emprego do que investirem em um pequeno negócio na incubadora de empresas da faculdade.

"Falta confiança, afirma Landgraf, que acredita que as ciências humanas, em um projeto multidisciplinar na faculdade, poderiam ajudar os alunos a enxergarem essas oportunidades. "Precisamos transformar essa realidade."

Ele fez coro a professor Santos que reivindicou maior participação das disciplinas de ciências humanas no sistema de pesquisa, pois normalmente ficam esquecidas nas políticas de apoio à ciência, representando cerca de 7% dos projetos apoiados pela Fapesp.

"A inovação é mais entendida do ponto de vista tecnológico, mas ela é importante para as ciências humanas, para entender e ajudar a propor soluções para os problemas cotidianos das cidades, como a violência, a pobreza e a falta de saneamento", lembrou Motoyama.

MAIS RECURSOS

Outros aspectos considerados importantes pelos palestrantes foram a necessidade de aumentar recursos destinados à inovação, o aumento da inserção política institucional de todos os componentes de C,T&I do estado, questões sobre propriedade intelectual e o estabelecimento de métricas adequadas para a mensuração dos projetos de ciência, tecnologia e inovação.

"São Paulo é o maior produtor de conhecimentos do Brasil, pode influenciar muito no Sistema Nacional, por isso gostaria de fazer um apelo para que a comunidade científica paulista comece a trabalhar de forma interdisciplinar, conservando a individualidade de cada instituição”" concluiu Hernan Chaimovich, vice-diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA/USP).