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Cientistas paulistas ampliam estudos com foco na covid-19

Publicado em 25 abril 2020

Por Contexto Paulista

Mais de 140 pesquisadores de quatro universidades do Estado de São Paulo — Unesp, USP, Unicamp e Unifesp — ampliaram o escopo de projetos apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para incluir estudos direcionados à covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). A lista com os nomes dos pesquisadores e dos projetos está disponível no site da Fapesp. Até o dia 20 de abril, 16 desses pesquisadores já tinham aprovadas as solicitações de suplementação de recursos para as pesquisas.

Força-tarefa nos câmpus

A força-tarefa da USP envolve mais de 80 pesquisadores. Os projetos de pesquisa se concentram no Instituto de Ciências Biomédicas, Instituto de Biociências, faculdades de Medicina de São Paulo e de Ribeirão Preto e Hospital das Clínicas em São Paulo, além de contribuições de outras 22 faculdades e institutos de pesquisa. As ações envolvem análises computacionais de alto desempenho, insumos para a fabricação de equipamentos de proteção individual (EPIs) e intercâmbio de equipamentos de pesquisa. Na Unifesp, as investigações envolvem 25 pesquisadores, a maioria da Escola Paulista de Medicina.

Interior engajado

Os doze pesquisadores da Unesp com investigações voltadas ao combate da enfermidade estão distribuídos em seis faculdades e institutos de pesquisa no Estado de São Paulo. Em Campinas, 22 pesquisadores de sete institutos e centros de pesquisa integram a força-tarefa da Unicamp. Concentrando-se principalmente nos institutos de Biologia e de Química e na Faculdade de Engenharia Química, eles desenvolvem pesquisas nas áreas de diagnóstico da enfermidade, modelagem e epidemiologia, engenharia biomédica e tecnologias de combate à doença.

Novo ventilador pulmonar

O ventilador pulmonar emergencial Inspire, protótipo econômico para produção em até duas horas criado por um grupo de engenheiros da Escola Politécnica (Poli), da USP, passou pelas etapas finais de testes. Os documentos relativos ao projeto serão enviados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O equipamento foi desenvolvido pela equipe do professor Raul González Lima. Além da rapidez de produção, o equipamento tem como principal vantagem o custo. Enquanto os ventiladores convencionais custam em média R$ 15 mil, o valor do Inspire é de R$ 1 mil.

Testes em seres humanos

A Poli informou que de 17 a 19 de abril foram realizados estudos com pacientes humanos com o novo ventilador pulmonar, seguindo os trâmites da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Os testes foram realizados com quatro pacientes no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da FMUSP. O respirador foi considerado aprovado em todos os modos de uso.

Qualidade do ar

Um dispositivo automático para monitorar a qualidade do ar em ambientes internos pode se tornar um aliado importante no combate à transmissão da covid-19. O equipamento com a tecnologia SPIRI fornece informações sobre temperatura, umidade do ar e presença de partículas em suspensão no ar, nas quais o vírus pode estar presente. O produto já está disponível no mercado e os criadores iniciarão um trabalho de coleta de amostras de ar em hospitais para verificar a presença do vírus da enfermidade, com um dispositivo adicional adaptado para auxiliar no combate à pandemia. O dispositivo é fabricado pela Omni-Electronica, uma startup incubada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), instituição vinculada à USP e ao Ipen. Os pesquisadores afirmam que é essencial manter ambientes bem ventilados e com qualidade ao ar adequada.

Startup participa

Um sistema baseado em internet das coisas desenvolvido pela startup paulista Biologix para diagnosticar e monitorar apneia do sono em ambiente domiciliar pode ajudar a acompanhar remotamente pacientes com suspeita ou com sintomas brandos de covid-19 e encaminhá-los a um hospital caso registre piora nos sinais clínicos. Viabilizada por meio de um projeto apoiado pelo Programa PIPE/PAPPE Subvenção, a tecnologia será testada por dois hospitais privados em São Paulo. O sistema é composto por um sensor portátil e sem fio.

Em São Carlos

No Instituto de Física de São Carlos, da USP, pesquisadores desenvolveram método de diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço mais simples e barato que o empregado atualmente. O estudo, realizado em parceria com o Hospital de Amor de Barretos, utiliza genossensores, um tipo de biossensor que detecta o material genético dos tumores cancerígenos em poucos minutos, com dispositivos portáteis. Os cientistas também desenvolveram sensores para câncer de pâncreas e de próstata e vão iniciar estudos com o objetivo de adaptar a técnica para diagnosticar a covid-19.

Unesp em destaque

Em sua segunda edição, o levantamento THE Impact Ranking classificou a Unesp como uma das melhores instituições de ensino do Brasil em termos de impacto social, listando-a na faixa entre a 101ª e a 200ª colocação mundial, entre 766 instituições avaliadas neste ano. O Times Higher Education (THE) Impact é um ranking internacional que leva em conta a conexão e o alinhamento das universidades com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).