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Diário do Rio Claro

Cientistas investigam fatores genéticos

Publicado em 11 julho 2020

Por Boas notícias

Entre os mais de 1 milhão de pessoas que se recuperaram da COVID-19 no Brasil até o momento, há pacientes idosos, entre eles, nonagenários e até centenários, com diabetes e hipertensão, por exemplo, que, apesar de apresentarem esses fatores de risco, se curaram da doença sem grandes complicações.

Por outro lado, entre os que não resistiram e morreram em decorrência da infecção pelo novo coronavírus, existem diversos casos de jovens saudáveis, sem histórico de doenças crônicas. Um dos fatores que podem ter contribuído para a doença ter evoluído dessa forma inesperada nesses dois grupos de pessoas pode ser genético, estimam pesquisadores da área.

“ Pessoas que desenvolvem formas graves da doença podem ter o que chamamos de genes de risco, enquanto outras que foram infectadas pelo virus, mas não desenvolveram a doença, podem ter genes protetores ”, explica à Agência Fapesp Maya na Zatz, professora do Instituto de Biociências () da Universidade de São Paulo () e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Celulas tronco (CEGH-CEL). Para confirmar ou refutar essa hipótese, pesquisadores do CEGH-CEL — um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) — estão estudando o genoma de pessoas desses dois grupos de pacientes: os super-resistentes e os suscetíveis.

Amostras Além do estudo dos genomas — a partir do DNA-, têm sido coletadas amostras de células de sangue de pacientes idosos que resistiram à COVID-19, principalmente de nonagenários e centenários. Em laboratório, as células adultas desses pacientes super-resistentes serão reprogramadas para voltar ao estágio de células-tronco pluripotentes, capazes de se diferenciar em diversas linhagens de células, como de pulmão, rim e coração. Para avaliar as respostas dessas diferentes linhagens celulares ao SARS-CoV-2, elas serão expostas ao novo coronavírus. “ Dessa forma, vamos verificar se o virus infecta ou não essas células e como elas se comportam quando expostas ao -CoV-2 ”, diz Zatz.