Notícia

Biblioteca FMUSP

Cientistas identificam enzimas que podem ser ferramentas para combater resistência a antibióticos

Publicado em 04 novembro 2021

Características únicas das gentamicinas possibilitam modificações em outros antibióticos da mesma classe para torná-los menos sensíveis à resistência. As alterações também podem diminuir a toxicidade dos compostos

 Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP determinaram a estrutura e a função de duas enzimas envolvidas na produção de gentamicinas pela bactéria de solo Micromonospora echinospora, responsáveis por tornar esse antibiótico menos suscetível à resistência das bactérias. O conhecimento produzido pelo grupo pode servir de base para modificar outros antibióticos da mesma classe, os aminoglicosídeos, tornando-os capazes de contornar a resistência desenvolvida pelas bactérias e diminuindo a sua toxicidade, o que permitiria um uso mais abrangente desses fármacos. O trabalho, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e que fez parte da tese de doutorado da pesquisadora Priscila dos Santos Bury, foi publicado na revista científica ACS Catalysis em setembro deste ano.

A gentamicina é frequentemente utilizada na forma de cremes e pomadas para tratamento de infecções tópicas, mas não costuma ser aplicada para tratar infecções internas por ser tóxica para o ouvido e para os rins. É considerada um antibiótico injetável de último recurso, para casos de infecções muito resistentes. “Os aminoglicosídeos foram descobertos na década de 1950 e tratam diversas infecções bacterianas sérias, como a tuberculose. Por serem moléculas mais antigas e já terem sido amplamente utilizadas, as bactérias já adquiriram resistência a muitas delas”, explica o professor Marcio Vinícius Bertacine Dias, coordenador do estudo e responsável pelo Laboratório de Biologia Estrutural Aplicada do ICB.

Feita em colaboração com cientistas da Universidade de Wuhan, na China, e da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, a pesquisa focou em identificar quais eram as enzimas que realizam as últimas modificações na biossíntese das gentamicinas, tornando-as capazes de driblar a resistência das bactérias e manter a sua eficácia – característica que é única dentro de sua classe. O estudo identificou a estrutura e função das enzimas GenB3 e GenB4, que são muito similares, mas catalisam reações totalmente diferentes, algo raro dentro da bioquímica.

saiba mais…

Fonte: Jornal da USP