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Pantanal News

Cientistas fazem primeiro vídeo nanométrico gravado com microscópio

Publicado em 19 setembro 2007

Um grupo de cientistas conseguiu, pela primeira vez, registrar em tempo real a interação entre uma enzima e o DNA de um vírus. O vídeo foi feito por pesquisadores da Universidade de Cambridge (Inglaterra), da Universidade de Kyoto (Japão) e do Instituto Indiano de Ciências (Índia).

Para registrar a relação em escala nanométrica foi utilizado um microscópio de força atômica que se encontra no Japão, um dos três mais potentes do tipo no mundo. O equipamento permitiu a produção de um vídeo que mostra uma enzima de uma bactéria se ligando à fita de DNA de um vírus. As imagens mostram a enzima quebrando o DNA antes que o vírus conseguisse infectar a bactéria.

Até a divulgação do vídeo, os cientistas podiam apenas supor como proteínas e DNA interagiam, baseados em evidência indireta. Agora, podem contar com a técnica para ver como a interação realmente ocorre. O estudo foi descrito em artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).

Segundo os autores, a pesquisa, financiada pelos governos japonês e britânico, terá grandes implicações para o estudo do reparo do DNA e poderá ajudar em pesquisas em busca de tratamento para doenças.

"Ser capaz de ver esses nanomecanismos à medida que eles estão realmente ocorrendo é algo incrivelmente empolgante. Podemos ver a enzima se enrolando com o DNA do vírus de modo a prendê-lo e quebrá-lo", disse Robert Henderson, da Universidade de Cambridge e um dos autores da pesquisa.

"O microscópio de força atômica e novas técnicas de observação tornam possível que tenhamos uma visão clara das interações entre proteínas e DNA que, até então, podíamos apenas interpretar indiretamente", afirmou Henderson. "Tecnologias anteriores para registros em vídeo nessa escala eram capazes de produzir um quadro a cada 8 minutos. Nosso trabalho permitiu capturar um quadro a cada 500 milésimos de segundos."

"O vídeo ajudará a entender como as enzimas identificam em qual pedaço da fita de DNA elas devem se ligar, o que é importante para compreender como as proteínas reparam DNA danificado. A longo prazo, isso poderá auxiliar na busca para tratamentos contra o câncer, por exemplo, uma vez que a doença muitas vezes ocorre onde o DNA está danificado, mas as enzimas não se comportam corretamente de modo a reparar o problema", explicou o cientista inglês.

Para assistir o vídeo da interação DNA-enzima, clique aqui.

Agência Fapesp