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Diário do Nordeste

Cientistas do Brasil testam vacina contra vírus da Aids

Publicado em 15 agosto 2013

São Paulo. Pesquisadores do Brasil esperam dar um novo passo em relação à busca da cura da Aids. Uma vacina desenvolvida no País contra o vírus HIV causador da doença, começará a ser testada em macacos no segundo semestre deste ano. Os experimentos, cuja duração prevista é de 24 meses, têm o objetivo de encontrar o método de imunização mais eficaz para ser usado em humanos. Após esta fase, e se houver financiamento suficiente, poderão ter início os primeiros ensaios clínicos. As informações são da Agência Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp).

Se a vacina for bem-sucedida na primeira etapa da fase clínica, poderá despertar interesse comercial. A esperança dos cientistas é atrair investidores privados, uma vez que o custo estimado para chegar até a terceira fase dos testes clínicos é de R$ 250 milhões. Até o momento, somando o financiamento da Fapesp e do governo federal, foi investido cerca de R$ 1 milhão no projeto.

Macacos Rhesus

A última etapa do teste pré-clínico será realizada na colônia de macacos Rhesus do Instituto Butantan – urna parceria que envolve as pesquisadoras Susan Ribeiro, Elizabeth Valentini e Vania Mattaraia. A vantagem de fazer testes em primatas é a semelhança com o sistema imunológico humano e o fato de eles serem suscetíveis ao SIV, vírus que deu origem ao HN.

Patente

Denominado HIVBr18, o imunizante foi desenvolvido e patenteado pelos pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Edecio Cunha Neto, Jorge Kalil e Simone Fonseca. Atualmente, o projeto é conduzido no âmbito do Instituto de Investigação em Imunologia, um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MeTI), apoiado pela Fapesp.

Cientistas estimam que, no estágio atual, a vacina não eliminaria totalmente o vírus, mas pode manter a carga viral reduzida a ponto de a pessoa infectada não desenvolver a imunodeficiência e não transmitir o vírus.

O trabalho foi iniciado em 2001, sob a coordenação de Cunha Neto. Em parceria com Kalil, o pesquisador analisou o sistema imunológico de um grupo especial de portadores do vírus que mantinham o HIV sob controle por mais tempo e demoravam para adoecer.

No sangue dessas pessoas, a quantidade de linfócitos T do tipo CD4, principal alvo do HN, permanecia mais alta que o normal. Linfócitos são células presentes no sangue e na linfa que atuam no sistema imunológico. Os pesquisadores isolaram peptídeos (pequenos pedaços de proteínas) do vírus HIV entre os mais estáveis (que se mantém presentes em quase todas as cepas) e testaram com a ajuda de um programa de computador. A ideia foi selecionar peptídeos com mais chances de serem reconhecidos pelas células TCD4 do sistema imunológico dos pacientes infectados com o HIV. Foram escolhidos 18 entre os peptídeos testados. Estes foram recriados em laboratório e codificados em uma molécula circular de DNA, chamada de plasmídeo. Os resultados foram publicados em 2006 na revista científica “Aids”.

Testes feitos com amostras de sangue de 32 pessoas com HIV com diferentes condições imunológicas e genéticas mostraram que, em mais de 90% dos casos, as células imunológicas reconheciam pelo menos um dos peptídeos. “Os resultados sugerem que urna única vacina poderia, em tese, ser usada em diversas regiões do mundo, onde diferentes subtipos do HIV são prevalentes”, disse Cunha Neto.