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Cientistas do Brasil e da Argentina conseguem imagens inéditas do Sol

Publicado em 07 novembro 2010

Um grupo de cientistas do Brasil e da Argentina anunciou nesta sexta-feira (5) imagens inéditas de explosões solares. As imagens foram obtidas no dia 20 de outubro, no observatório do Complexo Astronômico El Leoncito (Casleo), localizado em San Juan, na Argentina, e são as primeiras imagens do Sol feitas com com o telescópio e filtro H-Alfa, que mostra as regiões ativas da atmosfera solar com um grau de detalhamento sem precedentes.

A iniciativa faz parte de um convênio que envolve, há dez anos, cientistas do Casleo e do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (Craam), da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, no Brasil. A obtenção de imagens em H-Alfa faz parte de um projeto coordenado por Pierre Kaufmann, professor do Craam, e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

De acordo com Kaufmann, o objetivo é compreender a física por trás de fenômenos como manchas e explosões solares. "Conseguimos descrever bem processos como as explosões solares, mas a física que dá origem a eles ainda é um mistério", disse o pesquisador "Se pudermos conhecê-la, isso permitirá fazer previsões sobre esses fenômenos, que têm grandes impactos no nosso planeta."

Mudanças na atividade solar pode alterar o clima da Terra, além de causar interferências em satélites de GPS. Segundo o cientista, o Sol tem apresentado menos atividade do que o esperado. "O Sol tem ciclos de atividade de 11 anos e a previsão era de que o máximo da atividade solar deveria ocorrer em 2013. Já devíamos ter uma alta atividade, mas estamos bem longe disso. Estamos bastante perplexos com essa demora", disse.

A resolução de imagens que poderá ser obtidas a partir de agora vai aumentar a precisão das análises sobre os processos físicos que ocorrem nas explosões solares. "Temos uma capacidade única para fazer diagnósticos inéditos de explosões solares com uma altíssima resolução temporal", afirma Kaufmann. Enquanto o grupo argentino opera a instrumentação (o observatório do Casleo se situa em região desértica), a maior parte da interpretação dos dados é feita pelo Craam.

Fonte: Época