Notícia

Mercado Ético

Cientistas deviam buscar visibilidade internacional

Publicado em 06 novembro 2009

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP

Cientistas de países em desenvolvimento precisam aumentar participação nas publicações sobre clima e adaptação, diz Patricia Lankao, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos Estados Unidos. Foto: UcarOs cientistas dos países em desenvolvimento precisam aumentar sua participação nas publicações científicas sobre clima e adaptação. A afirmação é de Patricia Romero Lankao, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas (NCAR, na sigla em inglês), dos Estados Unidos.

"A comunidade científica desses países conhece de perto os problemas locais e tem capacidade para contribuir para o conhecimento global do tema. O problema é que o idioma ainda é uma barreira importante. Temos muitas publicações em espanhol, português e francês que acabam não chegando à literatura em inglês e que, por isso, não têm projeção global", disse em entrevista à Agência FAPESP.

A pesquisadora esteve nesta quarta-feira (4/11) no encontro "Impactos, adaptação e vulnerabilidade: necessidade e prioridades de pesquisa nos países em desenvolvimento", realizado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP).

Patricia defende a criação de grupos de trabalho que se dediquem a diminuir a distância entre a ciência feita nos países em desenvolvimento e os periódicos internacionais indexados.

"Propomos a criação de grupos nos quais os cientistas desses países serão incentivados a apresentar estudos. Outra iniciativa desses grupos está em arregimentar cientistas bilíngues que possam redigir versões em inglês dos trabalhos dos colegas que só publicaram no idioma original", explicou.

O idioma, no entanto, não seria a única barreira à visibilidade internacional. "A maior parte desses países tem poucos recursos e muitas vezes o número de revistas não é muito grande. Isso diminui a visibilidade, sem dúvida. Mas temos certeza de que esses países têm trabalhos muito relevantes", disse.

De acordo com Patricia, um dos principais problemas para o conhecimento relacionado às adaptações às mudanças climáticas nos países em desenvolvimento é a escassez de dados de base que permitam comparar a situação atual a cenários passados.

"Em muitas áreas não sabemos quais são as condições de base. Muitas cidades dos países em desenvolvimento ainda estão lidando com o que chamamos de vulnerabilidades inerentes", disse.

No México, por exemplo, segundo a pesquisadora, o sistema hídrico já era muito vulnerável antes das mudanças climáticas. O mesmo vale para a poluição atmosférica em Bogotá e Santiago, por exemplo.

"Sem dados de base, fica mais difícil saber quais fenômenos se devem às mudanças do clima e quais deles são consequência de uma vulnerabilidade inerente desses países, que é decorrente de déficits de governança e desenvolvimento", indicou.

O workshop realizado em São José dos Campos dá continuidade a dois encontros sobre os temas da adaptação e da mitigação, realizados no início de 2009 em Amsterdã, na Holanda, e no Colorado, nos Estados Unidos, na sede do NCAR. O workshop brasileiro, no entanto, é o primeiro com foco nos países em desenvolvimento.

"Nos encontros anteriores chegamos à conclusão de que os proximos passos deveriam consistir em analisar as lacunas de pesquisa - como o conhecimento sobre condições de base -, agregar análises que captem uma diferenciação espacial mais precisa, trabalhar com múltiplas escalas e criar indicadores qualitativos capazes de captar ações e interações individuais", contou Patricia.

Mais informações sobre o encontro "Impactos, adaptação e vulnerabilidade", que terminou nesta sexta-feira (6/11): www.ess.inpe.br/iavbrazil.

(Agência FAPESP)