Notícia

DCI

Cientistas descobrem droga que atua contra efeitos do mal de Alzheimer

Publicado em 15 fevereiro 2012

De acordo com a Agência Fapesp, um grupo de cientistas nos Estados Unidos acaba de dar um passo importante na busca por um tratamento eficiente para a doença de Alzheimer, que atinge várias pessoas em todo o mundo. Em artigo publicado na semana passada, no site da revista Science, Gary Landreth, professor da Universidade Casa Western, e alguns colegas e estudiosos de diversas instituições descreveram que a droga bexaroteno foi capaz de agir contra diversos efeitos da doença. -

O bexaroteno é aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) do governo norte-americano e usado há mais de uma década no tratamento de alguns tipos de câncer, como no sistema linfático. De acordo com a pesquisa, camundongos administrados com a droga apresentaram reversão rápida no quadro clínico com relação a efeitos danosos promovidos pelo Mal de Alzheimer, como perda de memória e prejuízos cognitivos. Segundo os autores do estudo, os resultados são muito promissores.

O Mal de Alzheimer decorre em grande parte da incapacidade do organismo de limpar o cérebro de fragmentos de proteínas conhecidas como beta-amiloide, que ocorrem naturalmente. Em 2008, Landreth e sua equipe descobriram que o principal condutor de colesterol para o cérebro, a abolipoproteína (ApoE), facilita a remoção das proteínas beta-amiloide. No novo trabalho, os pesquisadores decidiram investigar os efeitos do bexaroteno no aumento da expressão da ApoE em camundongos modificados geneticamente, para apresentar efeitos semelhantes aos promovidos pelo Alzheimer nos seres humanos.

Sabia-se que a elevação dos níveis da ApoE, aumenta a limpeza das proteínas beta-amiloides do cérebro. Já o bexaroteno atua ao estimular receptores conhecidos como RXR, que controlam quanto de beta-amiloide é produzido. Os cientistas ficaram surpresos não apenas com os efeitos, mas com a velocidade com que o bexaroteno melhorou a perda de memória e problemas de comportamento.

Apenas seis horas após a administração da droga nos camundongos, os níveis de beta-amiloides solúveis - que se estimam sejam causadores dos danos na memória causados pelo Alzheimer - caíram em 25%. O artigo "ApoE - directed Therapeutics Rapidly Clear - amyloid and Reverse Deficits in AD Mouse Models (doi: 10.1126/science.1217697)", de Gary Landreth e outros estudiosos, pode ser lido por assinantes da Science no endereço eletrônico www.sciencemag.org.