Notícia

Folha de Londrina online

Cientistas descobrem diamantes com 4 bilhões de anos

Publicado em 24 agosto 2007

Diamantes são para sempre. Ou, pelo menos, por quanto durar o planeta. Exemplares da pedra preciosa com mais de 4 bilhões de anos foram descobertos no oeste da Austrália, de acordo com estudo publicado na edição desta quinta-feira (23) na revista Nature.

Os diamantes, encontrados dentro de cristais de silicato de zircônio, têm quase a idade da Terra (4,5 bilhões) e podem revelar dados inéditos sobre a evolução da crosta do planeta em seu período de formação. São os fragmentos mais antigos da crosta identificados até o momento.

Os cristais de zirconita são bastante raros e pequenos: têm menos de 0,3 milímetro. São materiais duros e relativamente resistentes à fusão. Essas características permitem que eles retenham pistas importantes sobre eventos ocorridos na crosta e no manto da Terra.

Estudos recentes sobre esses cristais primitivos sugerem que a Terra pode ter esfriado muito mais rapidamente do que se imaginava, com a crosta continental e oceanos formando-se há cerca de 4,4 bilhões de anos.

A equipe liderada por Martina Menneken, do Instituto de Mineralogia da Universidade Wilhelms da Vestfália, na Alemanha, estudou os resíduos minerais contidos nos cristais de zirconita e descobriu que alguns deles continham pequenos diamantes. O silicato foi datado utilizando urânio e alguns isótopos principais.

Os cientistas concluíram que os cristais tinham mais de 4 bilhões de anos — quase 1 bilhão de anos mais velho do que o diamante terrestre mais antigo conhecido até então. Os autores examinaram possíveis cenários nos quais os diamantes poderiam ter sido formados e concluíram que os cristais tinham semelhanças com os que são encontrados em condições de pressão ultra-alta.

As descobertas, segundo os cientistas, indicam que havia, há pelo menos 4,25 bilhões de anos, uma crosta continental relativamente grossa e uma interação crosta-manto.

O artigo Hadean diamonds in zircon from Jack Hills, Western Australia, de Martina Menneken e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Agência FAPESP