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Cientistas descobrem a mais pesada partícula de antimatéria

Publicado em 26 abril 2011

Na colisão das partículas, um simples núcleo de hélio-4 (fundo) é acompanhado por um núcleo de anti-hélio (na frente)

Um grupo internacional de cientistas, com participação de brasileiros, detectou antipartículas de núcleos de hélio-4 num experimento realizado nos Estados Unidos. Segundo os estudiosos, trata-se da antimatéria mais pesada já produzida e medida em laboratório.

O experimento foi produzido no Colisor Relativístico de Íons Pesados (RHIC, na sigla em inglês) e os resultados foram publicados na edição de domingo 924) da revista Nature. Para os cientistas, o estudo é fundamental para os avanços no conhecimento da física nuclear, da astrofísica e da cosmologia.

Segundo a Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), pelo menos 584 cientistas de 12 países participaram do estudo, entre eles os brasileiros Alexandre Suaide, Alejandro Szanto Toledo e Marcelo Munhoz - professores da Universidade de São Paulo (USP) -, Jun Takahashi, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e seus orientandos de doutorado Rafael Derradi de Souza e Geraldo Vasconcelos.

Com a participação do mesmo grupo, o experimento já havia rendido, há um ano, a primeira evidência experimental de um anti-hipernúcleo, isto é, os cientistas haviam obtido um núcleo que não faz parte da tabela periódica.

No novo experimento, segundo o cientista Alexandre Suaide, foram realizadas colisões de núcleos de átomos de ouro em velocidade próxima à da luz, em temperatura altíssima, criando uma densidade de energia semelhante à que existiu alguns microssegundos após o Big Bang. Tanto no laboratório como no início do Universo, as colisões resultam na formação de uma quantidade equivalente de matéria e antimatéria.

"Teoricamente, acreditamos que o Big Bang surgiu de uma grande concentração de energia em uma singularidade e, a partir de modelos, concluímos que esse processo deve ter produzido muita antimatéria. No entanto, quando olhamos o Universo quase não encontramos a antimatéria. O experimento poderá ajudar a entender o que aconteceu nesses instantes iniciais", disse Suaide à agência de notícias da Fapesp.

Fonte: Terra