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Agência Gestão CT&I

Cientistas definem ações do programa sobre interação entre Amazônia e clima

Publicado em 07 dezembro 2016

Cerca de 150 pesquisadores do Programa de Grande Escala Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) discutiram a agenda científica para os próximos cinco anos. Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o LBA é o maior projeto de cooperação científica internacional criado para estudar as interações entre a floresta amazônica e as condições atmosféricas e climáticas em escala regional e mundial.

 

 

Os cientistas decidiram priorizar os estudos sobre os ciclos de carbono e metano."Do ponto de vista científico, a grande pergunta que cabe ao LBA responder é como a Amazônia funciona em condições naturais e como poderia ser afetada pelas mudanças de uso do solo e mudança do clima", explica o gerente científico do programa, Niro Higuchi.

 

 

Ele acrescenta que um total de 20 projetos de pesquisa servirá de base para o LBA nos próximos anos. Catorze deles são financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e seis pela cooperação internacional Green Ocean Amazonas (GOAmazon), apoiadas pelas fundações de amparo à pesquisa do Amazonas (Fapeam) e de São Paulo (Fapesp).

 

 

"O LBA é um dos programas que deram certo, e é extremamente importante para a ciência na Amazônia", afirma o diretor do Inpa, Luiz Renato de França. O Comitê Científico do LBA volta a se reunir para debater a minuta da agenda de pesquisa em maio de 2017.

 

 

Pesquisas

 

 

Durante o encontro científico, o pesquisador do Inpa Bruce Forsberg falou sobre as emissões e a dinâmica de gás carbônico (CO2) e metano nas áreas alagáveis da Amazônia e como as mudanças climáticas e no uso da terra podem influenciar essas emissões. Segundo ele, as áreas alagáveis da Amazônia são grandes fontes de gases de efeito estufa, especialmente de gás carbônico e metano.

 

 

"Fizemos muitas medidas e dimensões das dinâmicas de gases, dentro do Lago de Janaucá, a 110 quilômetros de Manaus. Estamos, hoje, modelando esses dados tentando associar aos cenários de mudança climática e mudança no uso da terra. Já modelamos a influência da mudança climática sobre a vazão dos rios na Amazônia e nas áreas alagáveis", detalha.

 

 

Para o pesquisador, de modo geral, as previsões são de que a vazão dos rios em quase toda a bacia amazônica ficará mais baixa no período seco. Já as enchentes serão mais fortes na parte oeste, começando por Manaus, com exceção daqueles rios que vêm do sul, como Purus e Juruá, que ficarão mais secos na cheia. "Por outro lado, na parte leste da Amazônia, onde há planos de construírem hidrelétricas, a vazão será menor no futuro, tanto na cheia quanto na seca, inviabilizando essas obras em termos econômicos", ressaltou Forsberg.

 

 

(Agência Gestão CT&I/ABIPTI, com informações do MCTIC)