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Cientistas defendem política pública e investimento em tecnologia para biocombustíveis

Publicado em 01 outubro 2013

A produção de biocombustíveis pode fortalecer tanto as seguranças alimentar e energética como o desenvolvimento econômico. Mas, para isso, são necessárias políticas públicas adequadas e investimentos em tecnologias para explorar melhor a biomassa, afirmam os professores Luís Augusto Barbosa Cortez, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Jeremy Woods, do Imperial College London.

"A razão para o sucesso do modelo brasileiro, que combina produção de açúcar e de etanol, foi principalmente a relação dinâmica entre os setores de pesquisa e produtivos", afirma Cortez.

Na opinião do especialista, embora possa parecer aos olhos estrangeiros que os brasileiros vivem cercados de cana por toda parte, a verdade é que as plantações dedicadas à produção de etanol ocupam apenas 0,4% do território e nunca representaram uma ameaça à produção de alimentos.

"Na década de 1970, o Brasil importava 80% da gasolina que consumia. O Proálcool, além de ajudar a conquistar a independência energética, contribuiu para a industrialização da agricultura brasileira. Foram transferidos para o setor toda uma capacidade de engenharia e de cálculo dos custos de produção e todo um conhecimento sobre máquinas. Hoje, 40% das exportações do País correspondem a produtos agrícolas", diz Cortez.

Jeremy Woods refuta os argumentos usados pelos críticos da bioenergia, entre eles os da elevação do preço dos alimentos em razão do maior uso da terra para produção de biomassa, do aumento na pressão sobre a biodiversidade e sobre os recursos hídricos e do aumento nas emissões de gases estufa causados pelo desmatamento, de acordo com reportagem da Agência Fapesp.

"No Brasil, por exemplo, é a expansão do cultivo de soja uma das maiores causas do desmatamento. E essa soja é usada principalmente na alimentação animal. Nos Estados Unidos também a maior parte do milho cultivado é usado na alimentação animal. O desmatamento, portanto, está mais associado ao nosso consumo de carne e de laticínio do que aos biocombustíveis", avalia.

De acordo com Woods, não há um consenso no meio científico sobre os impactos da bioenergia. "Não devemos pensar nisso como um problema e sim buscar uma solução para integrar a produção de alimentos e de bioenergia. Se feita da forma adequada, a produção de biocombustíveis pode ser facilitador da segurança alimentar", diz.