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Cientistas debatem no Inpa evolução e distribuição da biota amazônica

Publicado em 15 maio 2014

Como parte da programação anual do projeto “Estruturação e Evolução da Biota Amazônica e seu Ambiente: Uma Abordagem Integrativa”, pesquisadores brasileiros e estrangeiros estão reunidos em simpósio que leva o mesmo nome do projeto, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI). Durante o simpósio, membros do projeto e pesquisadores do Inpa apresentaram os avanços mais recentes em estudos sobre a Biota Amazônica, visando fomentar a colaboração e aumentar a integração entre pesquisadores trabalhando em temas correlatos.

 

Entre os trabalhos apresentados, estão pesquisas sobre a história geológica e ambiental da Amazônia, bem como estudos focando na Biota, incluindo trabalhos com aves, primatas, plantas e borboletas.

 

De acordo com os coordenadores do projeto, a pesquisadora Lúcia Lohmann, da Universidade de São Paulo (USP), que coordena a equipe brasileira, e o pesquisador Joel Cracraft, do American Museum of Natural History (AMNH), que coordena a equipe internacional, o projeto tem como objetivo entender a origem, manutenção e diversificação de toda a biota na região amazônica.

 

O projeto conta com uma equipe diversificada e com a participação de pesquisadores do Inpa, da Universidade Federal do Pará (UFPA), do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), Universidade do São Paulo (USP) e Universidade de Campinas (Unicamp), além de várias instituições estrangeiras dos Estados Unidos, Argentina, Canadá e Inglaterra.

 

“Este projeto tem uma abordagem integrada, que depende de pesquisadores com formações muito diversas, baseados em diferentes regiões do planeta. No entanto, gostaríamos que o projeto envolva colaborações reais, especialmente, com pesquisadores da região amazônica para que possamos juntos desvendar os mistérios associados à grande diversificação da biota neste região”, diz Lucia.

 

Segundo a pesquisadora, a primeira reunião anual do projeto foi em São Paulo, no ano passado, mas resolveram fazer o encontro deste ano em Manaus para que possam aprender mais sobre as linhas de pesquisa que estão sendo desenvolvidas no Inpa e em outras instituições da região para que possam aumentar ainda mais o número de subprojetos a serem desenvolvidos em colaboração. “Este simpósio está sendo muito importante para que possamos discutir ideias, encontrar perguntas científicas de interesse mútuo e assim, estreitar relações com os pesquisadores da região”, disse Lohmann.

 

Lúcia Lohmann ressalta que os pesquisadores continuarão reunidos, no Inpa, até a próxima sexta-feira (16), para discussões detalhadas sobre as diferentes etapas do projeto. Estas discussões focarão no estabelecimento de prioridades e estratégias para a elaboração de publicações científicas, entre outros produtos, a serem desenvolvidos ao longo deste projeto, em colaboração com os pesquisadores internacionais, do Inpa e de diferentes partes do Brasil.

 

“Ficaremos aqui por mais quatro dias em reuniões, discutindo os próximos passos e estratégias concretas para os próximos anos de duração do projeto. Queremos estabelecer um cronograma de atividades que maximize esforços para que possamos, durante a curta duração do projeto, avançar de forma significativa em termos do nosso conhecimento sobre a origem e diversificação da biota amazônica e seu ambiente”, declarou a pesquisadora.

 

Para Lohmann, é notória a importância da floresta amazônica em vários aspectos, tanto em relação ao estudo da biodiversidade, quanto ao funcionamento do ecossistema e seu impacto para mudanças globais. “Julgamos muito importante conhecer a biota amazônica para que possamos conservar e manejar a floresta da forma mais adequada possível. Esperamos que as informações provenientes deste projeto contribuam de forma bastante significativa para o estabelecimento de áreas prioritárias para conservação e, ao mesmo tempo, esperamos que os resultados do projeto também nos ajudem a chamar a atenção da grande importância deste bioma”, disse.

 

Sobre o Projeto

 

Segundo a pesquisadora e doutora em Biologia Genética Camila Ribas, participante do projeto Estruturação e Evolução da Biota Amazônica e seu Ambiente, no Inpa, juntamente com o pesquisador William Magnusson (ambos da Coordenação de Biodiversidade do Inpa), o projeto teve início em 2013 e terá duração de cinco anos. É co-financiado pela National Science Foundation (NSF), pela Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço (Nasa), nos Estados Unidos, e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

 

A reunião com pesquisadores brasileiros e estrangeiros, que acontece desde o último domingo (11), recebeu o apoio do Inpa, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

Segundo Camila, o projeto tem como foco a Amazônia como um todo e estuda a história e evolução da formação da floresta e da diversificação das espécies que ocorrem na floresta, hoje. Pesquisadores realizam estudos em diferentes partes da Bacia Amazônica, focando em quatro grupos centrais de organismos: aves, primatas, alguns grupos de plantas e borboletas.

 

“Um dos grupos que queremos entender a origem e a diversificação são as aves. Eu trabalho com aves, aqui no Inpa, enquanto o pesquisador Alexandre Aleixo, do Museu Emilio Goeldi, trabalha com aves na região de Belém. Além disso, colaboramos ainda com outros pesquisadores dos Estados Unidos para entender melhor a origem e a diversificação de aves que ocupam a Amazônia, hoje”, contou Camila Ribas.

 

Segundo Ribas, o principal resultado com os estudos realizados com aves obtido até o momento é a observação de que ainda se precisa trabalhar muito para entender os padrões de diversificação na Amazônia. “Pois ainda conhecemos muito pouco sobre a diversidade local. Apesar disso, já foi possível detectar que as espécies que ocorrem em terra firme, várzea, ilha e rios, entre outros ambientes, têm histórias bastante diferentes”, disse.

 

“Quando começamos a estudar as aves com maior detalhe observamos que o número de espécies real é muito maior do que o número de espécies já descritas até hoje. São 1.300 espécies descritas, mas achamos que esta estimativa vai aumentar muito com os estudos que estão sendo feitos com as aves”, revela Camila Ribas.

Luciete Pedrosa

Ascom Inpa