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Cientistas debatem biocombustíveis e mudanças climáticas

Publicado em 09 setembro 2010

Por: Redação TN / Inovação Unicamp

O simpósio UK-Brazil Frontiers of Science, realizado entre 27 e 30 de agosto, reuniu cerca de 80 cientistas do Brasil, Reino Unido e Chile em Itatiba (SP) para discutir questões na fronteira do conhecimento de diversas áreas da ciência. Na sessão de debates sobre biocombustíveis, no dia 28, pesquisadores brasileiros abordaram os desafios de se aplicar em outros países as tecnologias do etanol de cana-de-açúcar desenvolvidas no país e o futuro da indústria brasileira com a perspectiva de criação de um mercado internacional do biocombustível.

O engenheiro Joaquim Seabra, pesquisador do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), apresentou os cenários traçados pela Agência Internacional de Energia que mostram os biocombustíveis ocupando entre 5% e 26% do setor de transportes no mundo em 2030. Atualmente, esse percentual é de apenas 1,5%.

Segundo ele, essa oferta cresceu 37% entre 2006 e 2007. "Grande parte da oferta de biocombustíveis, nesse cenário mais otimista que prevê uma fatia de 26% nos transportes mundiais, será proveniente da chamada segunda geração", destacou Seabra.

A bioquímica Glaucia Souza, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e uma das coordenadoras do Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), destacou que um dos projetos do Brasil é aumentar a produção do etanol para poder suprir parte da demanda mundial nas próximas décadas. Ela ponderou que para que isso ocorra existe a necessidade de formação de um mercado internacional de biocombustíveis.

A terceira participante da sessão foi a bioquímica chilena Sofia Valenzuela, professora da Universidade de Concepción, que pesquisa etanol da biomassa de eucalipto. O trabalho da rede tecnológica Consórcio Genômica Florestal, em que Sofia atua, consiste em desenvolver ferramentas de genômica para melhorar o aproveitamento da espécie Eucalyptus globulus. Segundo ela, as pesquisas estão em fase inicial, mas o objetivo é conseguir alternativas para suprir no futuro a demanda energética do Chile, que tem poucas áreas agricultáveis e precisará recorrer ao etanol celulósico para diversificar sua matriz.

Participantes do simpósio também discutiram, na sessão de encerramento, os impactos das mudanças climáticas nas plantas, de que maneira elas estão se adaptando às novas condições de temperatura e o que a ciência pode fazer para desenvolver novas variedades de cultivares mais resistentes a condições de estresse, como altas temperaturas e escassez de recursos hídricos. O agrônomo Carlos Alberto Martinez, professor da USP de Ribeirão Preto, explicou que as culturas agrícolas podem se adaptar às mudanças climáticas, mas o "maior desafio da ciência é desenvolver variedades de plantas que sejam resistentes a essas mudanças".

O biólogo Anthony Hall, da Universidade de Liverpool, um dos pesquisadores envolvidos no sequenciamento do genoma do trigo divulgado no final de agosto, disse que esse primeiro esboço do código genético do cereal permitirá aos cientistas descobrir como torná-lo mais resistente às mudanças climáticas previstas para ocorrer nas próximas décadas. Philip Wigge, biólogo alemão do John Innes Centre, em Norwich (Inglaterra), ressaltou que ainda não se sabe exatamente como é o funcionamento das plantas em relação à temperatura e como uma célula mede esse aumento de temperatura.

"A maioria das plantas não tem uma resposta linear ao aumento de temperatura", explicou Wigge, e entender esse processo é um dos maiores desafios científicos.