O método poderá ser utilizado no futuro para antecipar os problemas emocionais antes mesmo deles surgirem ou serem diagnosticados.
“Os indicativos de depressão que aparecem no consultório não são necessariamente os mesmos que estão na rede social. Por exemplo: percebemos, de maneira bem forte, o uso na rede de pronomes na primeira pessoa, como eu e mim, o que na psicologia é um indicativo clássico de depressão”, explicou o professor e pesquisador da USP Ivandre Paraboni.
O estudo teve início com a construção de uma base de dados chamada setembro BR que reúne informações de textos de usuários do twitter, 3,9 mil perfis já foram analisados e um total de 47 milhões de publicações.
Com a análise dos dados coletados completa, os pesquisadores perceberam que é possível descobrir se um indivíduo apresenta risco de desenvolver depressão com base na rede social de amigos ou seguidores.
O professor Ivandre, revelou que e pessoas que têm transtornos mentais buscam interesse em comum, como por exemplo seguir uma celebridade que revela sofrer da mesma condição.
“Inicialmente, fizemos uma coleta nas timelines em um trabalho artesanal, analisando textos de cerca de 19 mil usuários do Twitter, o que corresponde quase à população de uma pequena cidade”, afirmou o professor.
Posteriormente, os dados foram cruzados com parte de usuários realmente diagnosticados com transtornos mentais e uma outra aleatória, isso foi necessário para ajudar na diferenciação de pessoas com depressão e a população em geral.
IA
Os cientistas da USP, submeteram o material textual coletado a um procedimento de pré-processamento e limpeza de dados, que removeu caracteres como hyperlinks, emojis e hashtags.
Depois da primeira limpeza, os pesquisadores usaram o método de aprendizado profundo que criou quatro classificadores de palavras. Esses modelos são capazes de aprender o contexto e significado das palavras a partir do monitoramento em uma sentença, por exemplo.
Ao total, 200 tweets de cada usuário foram escolhidos aleatoriamente e tiveram seus anonimato respeitados.
O professor ressaltou que uma incidência alta entre os usuários depressivos da utilização do símbolo de coração e o emoji da afetividade, algo que ainda talvez não esteja dentro dos diagnósticos da psicologia.