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Cientistas da USP criam "minifígado" em impressora 3D

Publicado em 22 novembro 2019

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) criaram um minifígado em impressora 3D usando amostras de células sanguíneas humanas . Ele é capaz de desenvolver as mesmas funções do órgão real: sintetizarm proteínas, armazenam e secretam substâncias exclusivas do órgão, como a albina (célula que produz melanina).

Para poder fazer a criação do fígado, os cientistas do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) utilizaram diferentes técnicas de bioengenharia com impressão 3D para poder permitir que o tecido criado mantivesse suas funções hepáticas por mais tempo do que as feitas anteriormente.

Mayana Zatz, coordenadora do CEGH-CEL e coautora do artigo publicado na revista Biofabrication, explica que ainda falta algumas etapas. "Ainda existem etapas a serem alcançadas até obtermos um órgão completo, mas estamos em um caminho muito promissor. É possível que, em um futuro próximo, em vez de esperar por um transplante de órgão, seja possível pegar a célula da própria pessoa e reprogramá-la para construir um novo fígado em laboratório. Outra vantagem importante é que, como são células do próprio paciente, a chance de rejeição seria, em teoria, zero,” afirmou.

O diferencial do desenvolvimento do metódo é incluir as células na biotinta, usado para formar o tecido durante a impressão. “Em vez de imprimir células individualizadas, desenvolvemos uma maneira de agrupá-las antes da impressão. São esses ‘gruminhos’ de células, ou esferoides, que constituem o tecido e mantêm a sua funcionalidade por muito mais tempo,” disse Ernesto Goulart, pós-doutorando do Instituto de Biociências da USP e primeiro autor do artigo.

Fazendo desta forma, evitou-se um problema muito comum em bioimpressão de tecidos humanos: a perda lenta do contato entre as células, não afetando a funcionalidade do tecido.

Em apenas alguns minutos, a impressão do órgão foi feita. Após essa etapa, foram 18 dias de maturação. Todo o processo da criação do minifígado 3D, desde a coleta do sangue até ageração do tecido funcional durou 90 dias.

*Estagiária supervisionada por Lorena Pacheco

Correio Braziliense

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