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Cientistas criam plástico forte como aço, mas leve e transparente

Publicado em 05 outubro 2007

Material é feito de camadas de nanofolhas de argila e um polímero solúvel em água, quimicamente próximo da cola branca.

Mimetizando uma estrutura molecular encontrada em conchas marinhas, pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, criaram um compósito plástico que é forte como aço, mas mais leve e transparente. O material é feito de camadas de nanofolhas de argila e um polímero solúvel em água quimicamente próximo da cola branca.

O estudo sobre o material compósito foi publicado na edição desta sexta-feira (05/10) da revista Science. O professor de engenharia Nicholas Kotov, que coordenou a equipe de pesquisa, diz ter cogitado chamar o novo material de "aço plástico", mas ele "não era elástico o bastante para merecer esse nome".

No entanto, o cientista acredita que o desenvolvimento futuro do composto poderá servir, por exemplo, para a blindagem de veículos e roupas de policiais e soldados. O material poderia também servir para aparelhos microeletromecânicos, sensores biomédicos, válvulas e aeronaves não-tripuladas.

Os pesquisadores resolveram um problema enfrentado por cientistas e engenheiros há décadas: individualmente, as nanoestruturas como nanotubos, nanofolhas e nano-hastes são ultrafortes. Mas materiais maiores feitos com nanoestruturas são comparativamente frágeis.

"Quando se tentava construir algo que se possa pegar com as mãos, havia dificuldades em transferir a força dos nanotubos e nanofolhas individuais para o material inteiro", disse Kotov. "Nós demonstramos que se pode atingir um ponto quase ideal de transferência de tensão entre nanofolhas e uma matriz polimérica."

Os pesquisadores criaram esse novo compósito plástico com uma máquina — desenvolvida por eles — que constrói materiais com uma camada em nanoescala após a outra.

A máquina robótica consiste em um braço que gira sobre uma roda que sustenta frascos com diferentes líquidos. O braço segura um pedaço de vidro sobre o qual ela constrói o novo material.

UOL/Fapesp