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Agência C&T (MCTI)

Cientistas criam "arco-íris" cerebral nos EUA

Publicado em 04 novembro 2007

São Paulo (Agência Fapesp) - O cérebro nunca foi tão colori do. Com o uso de técnicas de manipulação genética, um grupo de cientistas do Departamento de Biologia Molecular e Celular e do Centro de Ciência do Cérebro da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, conseguiu marcar dezenas de neurônios individuais com tons diferentes para criar um "arco -íris" cerebral. Apelidada de Brainbow, mistura de "brain" (cérebro) com "rainbow" (arco-íris), a técnica, segundo a revista Nature, resulta da rotulagem de neurônios em tons criados a partir da combinação de cores e leva o mapeamento e a produção de imagens de órgãos a um novo estágio. O estudo ganhou a capa da edição de 1.0 de outubro da re vista.

Em 1873, o médico italiano Camillo Golgi (1843-1926) publicou um trabalho em que descrevia o uso de nitrato de prata para destacar neurônios, mas desde então mapear células individuais em cada circuito neural tem sido um desafio para os cientistas.

No artigo agora publicado, o grupo coordenado por Jeff Lichtman explica como desenvolveu uma versão "em technicolor" do método de Golgi.

"De modo similar ao que uma televisão colorida codifica os espaços das cores pela mistura de três canais primários - vermelho, verde e azul -, a combinação de três ou mais cores pode gerar muitos tons diferentes. Variações espectrais múltiplas de proteínas fluorescentes entram em cena como rotuladores ideais para esse propósito", descreveram os pesquisadores.

O estudo foi feito em camundongos. Os pesquisadores desenvolveram duas estratégias com a técnica Brainbow para a expressão de proteínas fluorescentes. A combinação das estratégias e de cores primárias de proteínas específicas, em camundongos modificados geneticamente, levou à produção de 90 diferentes tons.

A técnica Brainbow permite reconstruções detalhadas dos circuitos cerebrais e, segundo os autores, representa um importante passo em busca da modelagem de como o sistema nervoso funciona normalmente e em casos de distúrbios cerebrais. "A capacidade do sistema Brainbow de rotular de for ma inédita células individuais em uma determinada população pode facilitar a análise dos circuitos neuronais em larga escala", afirmaram os autores. "Diferenças de tons entre neurônios oferecem uma maneira de visualizar diretamente as interações sinápticas e também de distinguir neurônios que convergem em uma célula pós-sináptica."