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Cientistas brasileiros sintetizam molécula que elimina vírus da hepatite C

Publicado em 15 novembro 2018

Pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista) sintetizaram um novo composto que inibe a replicação do vírus da hepatite C em diversos estágios de seu ciclo. O estudo, feito com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), consistiu na combinação de moléculas já existentes para produzir novos compostos biológicos, método denominado bioconjugação.

O novo composto, denominado AG-hecate, também é capaz de agir em bactérias, fungos e células cancerosas.

Segundo um dos autores do estudo, o químico Paulo Ricardo da Silva Sanches, esse tipo de atuação não é comum nos antivirais que normalmente têm alvos específicos isolados, inibindo processos específicos como a entrada do vírus nas células, a síntese do material genético e de proteínas, a montagem e liberação de novas partículas virais.

“O AG-hecate, ao contrário, apresentou ampla atividade, agindo em diversas etapas do ciclo. O composto também apresentou atividade nos chamados ‘lipid droplets’ – gotas de lipídeo no interior das quais o vírus circula nas células e que o protegem do ataque de enzimas. O AG-hecate desestrutura essas gotas de lipídeo e deixa o complexo replicativo do vírus exposto à ação das enzimas celulares”, disse o químico.

Molécula

De acordo com o estudo, o composto também mostrou alto índice de seletividade, o que significa que ele ataca muito mais o vírus do que a célula hospedeira, mostrando potencial para atacar a doença. “Apesar do composto apresentar pequena atividade nos glóbulos vermelhos do sangue, a molécula precisa passar por alterações em sua estrutura para reduzir ainda mais a sua toxicidade. É nisso que estamos trabalhando agora, para que a pesquisa possa evoluir da fase in vitro para a fase in vivo”, afirmou Paulo Ricardo.

O estudo e o desenvolvimento da molécula AG-hecate demorou cerca de dois anos. Até que entre no mercado e passe a ser utilizada serão necessários mais oito anos, já que o tempo médio para planejamento e desenvolvimento desse tipo de medicamento é de dez anos.

Para o professor Eduardo Maffud Cilli, orientador do estudo, a molécula também age em bactérias, fungos e células cancerosas. No caso do câncer, a molécula interage e destrói a membrana da célula afetada. “Além disso, como os vírus do zika e da febre-amarela apresentam ciclos replicativos bastante parecidos com o do HCV, vamos testar a efetividade do AG-hecate também em relação a esses vírus”, concluiu.

Curso gratuito para meninas poderem se tornar cientistas

Meninas que sonham ser cientistas contam agora com o incentivo de um grupo de pesquisadoras e cientistas de São Paulo. É o projeto “Meninas com Ciência-2ª edição SP: de mulheres cientistas para meninas que sonham”.

“O objetivo é incentivar a inserção de mulheres nas ciências, humanizar a figura de uma cientista, inserir a importância das ciências na formação dessas meninas e também para o desenvolvimento do País. Esperamos que, desde pequenas, elas tenham essa mensagem”, explicou a coordenadora do evento, Camila Negrão Signori, professora doutora da USP (Universidade de São Paulo) e atuante na área de Oceanografia Microbiana.

A ideia surgiu de um grupo de mulheres pesquisadoras e cientistas, todas apaixonadas pelo que fazem e buscam inspirar outras garotas por meio das Ciências. O projeto está em sua segunda edição no Estado de São Paulo.

“O Meninas com Ciências surgiu no Museu Nacional do Rio de Janeiro, voltado para Paleontologia e Geologia. Lá, elas já estão na quarta edição. No ano passado foi realizada a primeira edição na Universidade Federal de São Carlos, e fui uma das palestrantes convidadas. Assim, com amigas pesquisadoras, tivemos a ideia de trazer o projeto para a USP na expectativa de expandir mais os temas científicos e ter uma procura grande dessas meninas”, contou a coordenadora do evento.

O curso é gratuito e começou no final de outubro. Nele são apresentados conteúdos teóricos e práticos lecionados por diferentes professoras e pesquisadoras com os temas oceanografia, astronomia, neurociência, engenharia elétrica, farmacologia, educação, paleontologia, astrobiologia, microbiologia e zoologia.

Participam professoras e especialistas de diferentes áreas das ciências. “O curso terá uma parte teórica numa linguagem mais acessível a essas meninas e também haverá a parte prática. Nós temos [na USP] uma infraestrutura de laboratórios e de espaço onde essa parte prática pode ser desenvolvida e mostrada para as meninas”, detalhou Camila.

As inscrições, feitas online, eram direcionadas a meninas matriculadas entre o 5º e 9º ano do ensino fundamental, em escolas da rede pública ou particular do Estado de São Paulo. Foram 50 vagas divididas entre participantes da rede pública e particular e a seleção se deu por meio de sorteio.