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Cientistas brasileiros revelam que pacientes com demência apresentam pior evolução da covid-19

Publicado em 22 abril 2021

Estudo desenvolvido por pesquisadores da UFRJ e do Instituto Butantan apontam que, ao serem infectados, pacientes com demência têm de duas a três vezes mais chances de desenvolver quadros graves de covid-19, podendo evoluir para óbito

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Instituto Butantan e da Universidade de São Paulo descobriram que pacientes com demência, como os portadores da doença de Alzheimer, apresentam risco maior de desenvolver formas mais graves de COVID-19.  No artigo “Dementia is an age-independent risk factor for severity and death in COVID-19 inpatients”, publicado hoje na revista científica Alzheimer’s & Dementia (da Associação de Alzheimer dos Estados Unidos) (https://doi.org/10.1002/alz.12352), esse grupo de pesquisadores brasileiros revela a urgência de se dedicar atenção especial na proteção e no cuidado com indivíduos portadores de demência durante a pandemia de COVID-19. As pesquisas apontam que, ao serem infectados, pacientes com demência têm de duas a três vezes mais chances de desenvolver quadros graves de COVID-19, podendo evoluir para óbito.

Os cientistas chegaram a três conclusões principais. Os pacientes com demência em geral ou, especificamente, com doença de Alzheimer apresentam risco três vezes maior de serem infectados do que pacientes livres de demência. Uma vez infectados, os pacientes com demência têm uma chance também maior de serem hospitalizados, com mais gravidade do que pacientes com COVID-19 não demenciados. Dentre os pacientes hospitalizados com COVID-19, a chance de óbito foi duas a três vezes maior nos pacientes com demência.

“Esses resultados mostram que pacientes com demência, e com a doença de Alzheimer em particular, são mais facilmente infectados pelo vírus SARS-CoV-2, que causa a COVID-19. A chance dos pacientes com demência desenvolverem COVID-19 grave, e a chance de irem a óbito, é bem maior do que em indivíduos que não são portadores de demência” afirma Sergio Verjovski-Almeida, pesquisador do Instituto Butantan e do Instituto de Química da USP, que coordenou o estudo juntamente com Sergio Ferreira, professor dos Institutos de Biofísica e de Bioquímica Médica da UFRJ.

Segundo Ferreira, embora os resultados sejam claros ao revelar que a demência é um fator de risco importante para COVID-19 grave, o estudo ainda não é conclusivo em mostrar por que razão isso ocorre. “Uma hipótese que pretendemos investigar é que os pacientes com demência já apresentem alterações nas respostas imunológica e inflamatória que fazem com que eles reajam de forma inadequada à infecção pelo SARS-CoV-2” alerta Ferreira. “De todo modo, nossos achados servem de alerta aos serviços de saúde pública para que atenção especial seja dada ao cuidado de pacientes COVID-19 com quadros de demência, pelo risco significativo de evolução para um quadro de difícil tratamento e reversão” conclui Ferreira.

No estudo publicado hoje, os pesquisadores utilizaram dados do UK Biobank, projeto que, desde 2006, acompanha e investiga cerca de 500 mil voluntários, com exames de saúde periódicos. A partir dos dados do UK Biobank, os pesquisadores brasileiros identificaram mais de 16 mil indivíduos acima de 65 anos de idade (idade em que a demência se torna bem mais frequente) que haviam sido testados para COVID-19 no período de março a agosto de 2020. Dos 16 mil, cerca de 1.200 tiveram resultado positivo para COVID-19.  Os pesquisadores brasileiros começaram a examinar detalhadamente os dados de saúde dos cerca de 16 mil indivíduos para verificar se havia diferenças importantes entre os pacientes positivos para COVID-19 e os negativos.

“Analisamos os dados levando em conta se os pacientes tinham diversos outros possíveis fatores de risco para COVID-19, como hipertensão, sobrepeso, diabetes, doenças cardíacas ou pulmonares, entre outros. Essas informações já estavam disponíveis no banco de dados de forma organizada e precisa, o que nos garantiu agilidade para testar as nossas hipóteses” explica Ana Carolina Tahira, pesquisadora do Instituto Butantan que foi responsável pelas análises.

Sergio Verjovski-Almeida diz que uma das preocupações do estudo foi investigar se a idade, frequentemente mais elevada nos pacientes com demências, poderia explicar o aumento da proporção de pacientes graves de COVID-19.  “Para isso, refizemos todas as análises dividindo os pacientes por grupos etários, de forma a levar em conta a idade. Nossos resultados se confirmaram mesmo levando em conta a questão da idade” explica.

Em todo o mundo, a COVID-19 já atingiu a marca de 136 milhões de indivíduos infectados e quase três milhões de mortos. No Brasil, o número de infectados já passa de 13,5 milhões, com mais de 360 mil mortes. Embora a maior parte dos infectados consiga se recuperar ao longo de alguns dias, uma proporção considerável dos pacientes desenvolve sintomas ou sequelas de longa duração, no que vem sendo chamado de “COVID longa” ou de “síndrome pós-COVID”. Estes sintomas podem afetar vários órgãos e sistemas, incluindo o sistema nervoso.

No caso do sistema nervoso, os problemas causados pela COVID-19 podem variar desde a perda de olfato ou paladar, que frequentemente é temporária, até sintomas mais duradouros como desorientação, dificuldade de concentração, problemas com aprendizado e memória e outros. “Vários grupos de pesquisa no mundo, inclusive o nosso e os de outros colegas brasileiros, vêm se dedicando a entender o impacto da COVID-19 no sistema nervoso e as consequências a médio ou longo prazo. No entanto, a situação inversa, ou seja, se pacientes acometidos por problemas neurológicos prévios têm maior probabilidade de desenvolver formas complicadas da COVID-19, ainda é pouco estudada” explica Sergio Ferreira.

A pesquisa foi financiada pelo Conselho Nacional para Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelas Fundações de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e de São Paulo (FAPESP), pelo Instituto Nacional de Neurociência Translacional (INNT/Brasil) e pela Fundação Butantan.

Assessoria de Imprensa

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