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Cientistas brasileiros identificam molécula que pode revolucionar tratamento do Alzheimer (57 notícias)

Publicado em 15 de setembro de 2025

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), anunciaram a descoberta de uma molécula com potencial para transformar o tratamento de doenças neurodegenerativas.

O estudo identificou que a hevina, uma substância naturalmente produzida pelo cérebro, pode reverter perdas cognitivas em camundongos idosos e em indivíduos com condições semelhantes ao Alzheimer. A pesquisa foi publicada na revista científica Aging Cell e contou com apoio do Ministério da Saúde, da Faperj e da FAPESP.

Segundo os cientistas, a hevina desempenha papel central na plasticidade neural, sendo secretada por astrócitos — células do sistema nervoso responsáveis por dar suporte ao funcionamento dos neurônios. A principal descoberta é que a superprodução dessa molécula melhora a qualidade das sinapses, aumentando a conectividade neuronal. Em testes realizados com roedores, os animais apresentaram melhora significativa no desempenho cognitivo.

“Descobrimos que a superprodução de hevina é capaz de reverter os déficits cognitivos de animais envelhecidos por meio da melhora na qualidade das sinapses”, explicou Flávia Alcantara Gomes, coordenadora do Laboratório de Neurobiologia Celular da UFRJ. A pesquisadora destacou ainda que o foco no papel dos astrócitos representa uma mudança importante em relação às investigações tradicionais, que historicamente priorizaram os neurônios.

Até hoje, a maior parte dos estudos sobre Alzheimer se concentrou nas chamadas placas beta-amiloides, estruturas que se acumulam no cérebro e prejudicam a comunicação entre as células. A pesquisa brasileira amplia esse horizonte ao demonstrar que os astrócitos têm influência direta na progressão da doença e podem se tornar alvo de novas terapias.

O professor Danilo Bilches Medinas, da USP, reforçou que os testes mostraram não apenas aumento das conexões sinápticas, mas também melhora no desempenho em tarefas cognitivas. Ele pondera, no entanto, que a hevina ainda não está pronta para ser transformada em medicamento, mas representa uma via promissora para futuros tratamentos.

A descoberta é especialmente relevante em um cenário global em que o Alzheimer afeta mais de 50 milhões de pessoas, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Como a população mundial está envelhecendo, cresce a urgência por novas abordagens que possam retardar ou até mesmo reverter os sintomas da doença.