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Cientistas brasileiros e britânicos investigam depósitos minerais em águas internacionais

Publicado em 26 dezembro 2015

Cientistas ligados a instituições de pesquisa no Brasil, Reino Unido e Estados Unidos participam, em 8/12, do workshop E-tech Element Submarine Ferromanganese Crusts Researchpara discutir ações e lançar as bases da pesquisa conjunta no projeto Marine ferromanganese deposits – a major resource of E-tech elements (Marine E-tech).

Ao longo dos próximos cinco anos, o projeto Marine E-Tech vai estudar como foram formados, há milhões de anos, os depósitos de metais existentes no Oceano Atlântico e quais foram as condições ambientais que favoreceram seu surgimento em profundidades que podem atingir 5 mil metros.

O workshop vai apresentar os esforços já empreendidos pela pesquisa brasileira e a estrutura detalhada do projeto que reúne cientistas brasileiros e britânicos sobre a exploração sustentável de minerais de alto valor tecnológico em águas profundas e o papel do IO-USP em estudos realizados na Elevação do Rio Grande – uma área de 3 mil quilômetros quadrados localizada a 1,5 mil quilômetros da costa do estado do Rio de Janeiro, em águas internacionais do Atlântico Sul.

Entre os brasileiros, participam da reunião pesquisadores do IO-USP e da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Entre os participantes estrangeiros estão representantes de dois centros de pesquisa britânicos – National Oceanography Centre (NOCS) e British Geological Survey (BGS) – e do norte-americano U. S. Geological Survey (USGS).

A pesquisa busca garantir o acesso aos elementos químicos necessários para desenvolvimento de tecnologias ambientais que possibilitem produzir energia mais limpa e de uso mais eficiente. Esses elementos são subprodutos da extração de metais comuns, que podem ser utilizados em baterias de veículos elétricos, painéis solares e turbinas eólicas, entre outras aplicações.

O Marine E-Tech é parte do programa Security of Supply of Minerals Resource (SoS Minerals), lançado pelo Natural Natural Environment Research Council (NERC) e o Engineering & Physical Sciences Reseach Sciences Research Council (EPSRC), dois dos sete Conselhos de Pesquisa do Reino Unido (RCUK, na sigla em inglês). O projeto tem apoio no âmbito do acordo de cooperação entre a FAPESP e os RCUK, firmado em setembro de 2009.

O projeto é coordenado no Brasil por Frederico Brandini, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), e, no Reino Unido, por Bramley Murton, da Universidade de Southampton – com a qual a FAPESP também tem um acordo desde maio de 2011.

Quatro cruzeiros científicos estão previstos pelos pesquisadores participantes do projeto. Um deles será liderado por cientistas do Reino Unido em planícies abissais, ao largo da Ilha da Madeira, no Atlântico Norte. Outras três expedições de até 30 dias serão realizadas por pesquisadores brasileiros para investigar o ambiente em águas profundas na Elevação Rio Grande. Os cruzeiros no Atlântico Sul serão feitos por meio do navio oceanográfico Alpha Crucis, adquirido pela FAPESP para o IO-USP em 2012.

Pesquisa em águas internacionais

Em 9 de novembro de 2015, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) assinou com a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISBA), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU) que regulamenta a exploração em área internacional dos oceanos – considerada patrimônio comum da humanidade – um contrato para a exploração de depósitos minerais em águas profundas do Atlântico Sul. Esse é o primeiro contrato firmado com um país do Hemisfério Sul e coloca o Brasil no grupo de países que desenvolve pesquisas minerais em oceanos, como Rússia, Noruega, França, China, Alemanha, Japão e Coréia do Sul.

O contrato prevê plano de trabalho apresentado pela CPRM e aprovado pela ISBA para estudar e explorar economicamente recursos minerais na região conhecida como Alto do Rio Grande. O contrato permite ao Brasil explorar ferro, manganês e cobalto por 15 anos, em águas internacionais.

FAPESP