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Cientistas brasileiros descobrem efeito analgésico em abacaxi

Publicado em 24 junho 2019

Por Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP

A bromelina é uma enzima encontrada no abacaxi que, segundo pesquisadores da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), possui efeito analgésico. O estudo, apoiado pela FAPESP, indica que a substância libera encefalina, cujo efeito é semelhante ao da morfina. Até então, os cientistas sabiam da existência da bromelina, mas não conseguiam […]

A bromelina é uma enzima encontrada no abacaxi que, segundo pesquisadores da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), possui efeito analgésico. O estudo, apoiado pela FAPESP, indica que a substância libera encefalina, cujo efeito é semelhante ao da morfina.

Até então, os cientistas sabiam da existência da bromelina, mas não conseguiam entender como ela gerava uma resposta analgésica no organismo, visto que a enzima não é capaz de entrar na circulação sanguínea. Caso isso ocorresse, o indivíduo poderia ter um choque hipotensor violento, causando sua morte. Foi quando os autores do estudo perceberam que o mecanismo que gera o efeito deveria estar restrito à superfície do intestino.

Com base nessa descoberta, a pesquisa analisou que as pessoas que ingeriam a bromelina tinham uma consequente liberação de encefalina, que digeria a proencefalina presente na parede do intestino delgado, entrando na corrente sanguínia e gerando a ação analgésica.

Um artigo sobre a descoberta publicado na revista Peptides indica que a administração oral de bromelina em camundongos reduziu os níveis de proencefalina em um segmento do intestino delgado e aumentou os de encefalina circulante. Percebeu-se que houve uma diminuição na capacidade de sentir dor destes animais, sendo mais intensa após três horas do consumo da enzima.

Mais informações sobre o estudo podem ser consultadas no site da Biblioteca Virtual da FAPESP ou através do artigo Enkephalin related peptides are released from jejunum wall by orally ingested bromelain, publicado em maio deste ano pela revista Peptides.