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Cientista marinho Gilberto Amado morre aos 59 anos

Publicado em 19 março 2019

Gilberto Menezes Amado Filho, pesquisador titular do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, morreu na sexta-feira (15/03), aos 59 anos, em decorrência de um acidente de trânsito na praia da Joatinga, na capital fluminense. Amado foi um dos coordenadores do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do qual era também membro do comitê assessor em Oceanografia e pesquisador nível 1. Realizou atividades de docência na Universidade Federal Fluminense (UFF), na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), entre outros.

"O professor Gilberto Amado se destacou nas pesquisas sobre a biodiversidade marinha, especialmente de rodolitos e algas marinhas. Foi coordenador de vários projetos interinstitucionais nacionais e internacionais, inclusive de programas científicos de destaque como o PELD e a Rede Abrolhos, arquipélago que foi objeto de muitos estudos de seu grupo de pesquisa”, disse Roberto Berlinck, professor no Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP) e membro da coordenação do programa BIOTA-FAPESP.

“(Amado) também foi um dos coordenadores do projeto que descobriu o novo recife de corais da foz do rio Amazonas, certamente uma de suas grandes contribuições científicas. Estou tendo a oportunidade de trabalhar com a equipe do professor Gilberto Amado na descoberta de substâncias de interesse farmacológico a partir de esponjas encontradas na foz do rio Amazonas. Um desses trabalhos já foi publicado [ Journal of Natural Products, em outubro de 2018]. No artigo descrevemos novos inibidores do proteassomo, um complexo enzimático que regula diferentes processos celulares, inclusive relacionado a diferentes formas de câncer”, disse Berlinck à Agência FAPESP.

A Rede Abrolhos divulgou comunicado no qual destaca a contribuição de Amado em estudos sobre a biodiversidade marinha e os recifes da Amazônia, Abrolhos e ilhas oceânicas brasileiras.

“(Amado) atuou em projetos sobre poluição marinha por metais pesados e biologia celular, tendo sido o primeiro brasileiro a receber o Prêmio Luigi Provazoli pela descoberta de uma nova organela celular. No momento, estava dedicado a estudar os efeitos do desastre de Mariana sobre o oceano”, disse o comunicado.

Formado em Biologia Marinha (1985), fez mestrado no Museu Nacional e doutorado no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, na UFRJ. Foi diretor da Escola Nacional de Botânica Tropical (ENBT) e atuou em diversos programas de pós-graduação, onde formou 19 mestres, 14 doutores e 14 pós-doutores. Publicou mais de 130 trabalhos científicos.

“Descrito por colegas e amigos como um líder, era apaixonado por sua instituição e pela ciência, destacando-se por agregar pesquisadores de diversas instituições nacionais e estrangeiras, sempre enfatizando a importância dos trabalhos em campo nos domínios inexplorados do Oceano. Seu legado pessoal e científico certamente influenciará as próximas gerações de cientistas marinhos. Deixa mãe, esposa, filha, duas irmãs e sobrinhos”, disse o comunicado da Rede Abrolhos.

Ouça entrevista com Amado na revista Pesquisa FAPESP: http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/08/27/entrevista-gilberto-amado/

Agência FAPESP