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Cientista marianense da UFSCar tem reconhecimento nacional

Publicado em 05 maio 2020

Marina Rocha cedeu entrevista a Rede record sobre os testes do novo coronavírus realizados na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Marina Campos Rocha, de 31 anos, é formada em farmácia, mestre em Genética Evolutiva e Biologia Molecular e doutora em Ciências com ênfase em Bioquímica Estrutural e Biologia Molecular. Marina é marinanese e filha do conhecido fotógrafo Élcio Rocha.

Atualmente, Marina vem trabalhando como pesquisadora de Pós-Doutorado do Departamento de Genética Evolutiva e Biologia Molecular da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no laboratório de Bioquímica e Biologia Molecular, onde estão sendo realizados testes do novo coronavírus.

Marina conta que os testes baseiam-se na detecção de sequências únicas do RNA do vírus causador da COVID-19 e são padronizados de acordo com as normas do Colégio Americano de Patologistas (CAP). Por se tratar de uma infecção respiratória, o diagnóstico do novo coronavírus é feito a partir de uma amostra de raspado (swab) de nasofaringe, isto é, material obtido da mucosa do fundo do nariz com uma haste flexível ou de orofaringe, o material obtido do mucosa da faringe do paciente.

O laboratório onde Marina trabalha fazia pesquisas em outra área, mas, em decorrência da pandemia, passou a atuar sobre o coronavírus. Por ter vasta experiência na técnica utilizada, neste momento Marina é uma das coordenadoras do projeto. O projeto é liderado pelo professor Dr. Anderson Ferreira da Cunha e professor Dr. Caio Cesar de Melo Freire.

Sobre a sensação de ser uma marianense reconhecida nacionalmente pelo seu trabalho, Marina diz: “Me sinto feliz em ser reconhecida por algo relacionado a ciência. Espero que a nova geração de Marianenses sinta que é possível crescer por meio da educação. Mariana possui boas escolas, que foram a base da minha educação, e hoje me sinto grata por isso, afinal sem uma boa educação básica eu jamais conseguiria obter o êxito na carreira científica. Mesmo longe há tanto tempo é sempre uma alegria retornar a Mariana, rever pessoas queridas e ver que a educação ainda é tratada com seriedade pelas pessoas da nossa cidade, mesmo com os diversos problemas que ocorreram nos últimos anos”.

A pesquisadora pede que os marianenses não saiam de casa e ressalta a importância do achatamento da curva de contágio, “eu recomendo fortemente que a população saia de casa somente em situação de extrema necessidade. Estamos apenas no início da crise do COVID-19 no Brasil. O ‘achatamento’ da curva de contágio é essencial para a manutenção da saúde humana. O crucial não é a gravidade da doença em si, mas a capacidade de dar atenção a todos os infectados no momento em que eles precisam” afirma.

A marianense aproveitou o espaço da entrevista com o Ponto Final para enfatizar a importância da ciência e de como ela deve ser levada a sério. “No Brasil a ciência não é tratada com respeito e foi vista como um desperdício de dinheiro nos últimos tempos. Infelizmente, esta pandemia veio para nos mostrar o quanto vamos ‘desperdiçar’ por não ter tratado a ciência como prioridade. Por isso, espero que os futuros governantes e empresários repensem esta questão. Sem financiamento não há como desenvolver novas tecnologias e processos que a longo prazo melhoram a qualidade de vida do ser humano, e também poupam recursos. Por fim, gostaria de agradecer ao Jornal Ponto Final pela oportunidade de contar um pouco do meu trabalho, a FAPESP pelo suporte financeiro, e também a todo o apoio que tenho da minha família” ressaltou a doutora.