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Cientista identifica genes-alvo para barrar avanço do câncer de tireoide

Publicado em 14 dezembro 2017

Apesar de ser uma doença com bons índices de cura, o câncer de tireoide é resistente aos tratamentos disponíveis em 5% dos casos, podendo ser capaz de se disseminar pelo corpo e causar a morte.

Entretanto, cientistas da USP estão próximos de conseguir barrar a progressão do tumor nesses pacientes.

Em um estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), pesquisadores descobriram que, à medida que o tumor se torna mais agressivo, ocorre queda na expressão de 52 microRNAs -pequenas moléculas de RNA que desempenham função regulatória em diversos processos celulares. Ou seja, esses microRNAs podem ser explorados como supressores tumorais.

“A ideia seria restaurar o nível dessas moléculas no tumor e verificar se, desse modo, conseguimos impedir a progressão da doença”, disse Murilo Vieira Geraldo, autor da pesquisa e professor do Instituto de Biologia da Unicamp.

A maior parte dos experimentos foram feitos em um modelo de camundongo geneticamente modificado. Nesse animal, o gene BRAF encontra-se mutado somente na tireoide. A alteração é similar à encontrada frequentemente em pacientes com tumores na tireoide ou com melanoma.

Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), o câncer de tireoide é o mais comum na região da cabeça e pescoço, sendo três vezes mais frequente em mulheres Imagem: iStock

O primeiro passo foi avaliar, à medida que a doença progredia nos camundongos, como se modificava a expressão dos microRNAs de uma maneira geral. Os cientistas então identificaram um grupo de moléculas com comportamento muito similar: altamente expressas nos animais mais jovens, com tumores menos agressivos, e reduzidas nos casos mais avançados.

Depois, eles investigaram em qual região do genoma esses microRNAs eram codificados. “Coincidentemente, em 2015, foi publicado um artigo revelando a existência de uma condição rara conhecida como _Temple syndrome_, caracterizada justamente pela perda parcial ou total dessa região do genoma. O estudo mostrava que os portadores dessa síndrome tinham risco aumentado de câncer da tireoide. Isso reforçou nossa suspeita de que há nessa região do genoma algo importante para o funcionamento da tireoide”, explicou o pesquisador.

Eles ainda avaliaram esses microRNAs em pacientes com tumores tireoidianos, por meio de bancos públicos que armazenam dados genômicos de portadores da doença. Dados de 500 pacientes coletados na internet confirmaram que a expressão desses micrornas está reduzida também em tumores humanos.

“Quando olhamos para os alvos desses microRNAs, as moléculas de RNA com as quais eles interagem, percebemos que muitos deles regulam processos importantes para a progressão do câncer e a disseminação metastática, como migração e adesão celular”, comentou Geraldo.

Em um novo projeto, que ainda está começando na Unicamp, Geraldo pretende identificar quais dos 52 microRNAs são mais interessantes para serem estudados mais detalhadamente e testados como alvos para terapia.