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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Cientista formado na Unicamp publica editorial na Proteomics

Publicado em 10 agosto 2012

O Brasil reúne condições favoráveis, como diversidade de estudos e pesquisadores qualificados, para torná-lo conhecido, no futuro, como o país da proteômica. A avaliação faz parte de editorial assinado por Daniel Martins de Souza, publicado recentemente pela revista Proteomics, uma das mais conceituadas da área no mundo. Souza fez a graduação e o doutorado na Unicamp, mais especificamente no Laboratório de Proteômica do Instituto de Biologia (IB). Atualmente, é pesquisador no Max Planck Institute of Psychiatry, em Munique, na Alemanha.

No texto, Souza faz um breve apanhado histórico do desenvolvimento da proteômica no Brasil, lembrando que os primeiros passos nessa área foram dados, nos anos 1980, por profissionais que trabalhavam com química de proteínas e espectrometria de massas. Depois disso, vários grupos foram formados em instituições como a própria Unicamp, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade de São Paulo (USP).

As investigações desenvolvidas por esses centros, conforme o autor do editorial, criaram estrutura e massa crítica que colocaram o país em posição favorável no cenário internacional. "Agora, estamos prestes a inaugurar a Sociedade Proteômica Brasileira, o que demonstra que essa área vem ganhando cada dia mais força no país", assinala no texto. Souza tem trabalhado especialmente no desenvolvimento de pesquisas de análise proteômica em tecido cerebral e periféricos provindos de pacientes com distúrbios psiquiátricos. Informações sobre o trabalho de doutorado dele podem ser obtidas neste link.

O professor José Camilo Novello, que foi orientador de Souza na iniciação científica e coorientador no doutorado, afirma estar muito feliz por ver seu ex-aluno tendo o trabalho reconhecido em âmbito internacional. O docente revela que Souza sempre foi um pesquisador muito dedicado. Sobre a possibilidade de o Brasil vir a ser considerado no futuro o país da proteômica, Novello diz torcer para que a previsão se torne realidade, mas adverte que será preciso superar alguns desafios para atingir esse status.

Atualmente, segundo ele, existem centros bem equipados e recursos humanos qualificados, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. "Entretanto, penso que ainda falta uma política estratégica para essa área. É preciso estabelecer uma ação coordenada, de modo a fazer com que os diversos grupos de pesquisa atualmente em atividade se voltem para o estudo de temas centrais. Hoje, há muita gente trabalhando em assuntos muito variados". Um exemplo de projeto bem-sucedido, lembra o docente do IB, foi sequenciamento do genoma da Xylella fastidiosa, bactéria causadora da doença popularmente conhecida como praga do amarelinho, que atinge os citros.

A iniciativa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), rendeu, pela primeira vez na história, matéria de capa de uma pesquisa feita por grupo brasileiro na prestigiada revista científica Nature. "Infelizmente, a Fapesp não deu prosseguimento a projetos como o da Xylella. Penso que a retomada desse modelo seria importante, inclusive para atrair a primeira geração de pesquisadores brasileiros na área da proteômica, que hoje estão atuando fora do Brasil, a exemplo do Daniel Martins de Souza", pontua Novello.